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Crítica do filme: 'Má Sorte' (The Cooler)


As segundas chances de um paradoxo existencial. E se você tivesse uma Má Sorte? O que você faria com essa estranha condição? Lançado já no longínquo ano de 2003, Má Sorte nos leva para um recorte emocional na vida de um homem que se encontrou diversas vezes com a derrota. Dirigido pelo cineasta sul-africano Wayne Kramer o longa-metragem protagonizado pelo ótimo William H. Macy também explora os bastidores de um lugar também conhecido como ser o grande ponto de encontro dos jogos de azar. O ótimo roteiro se apega nas superstições para contar uma história sobre recomeços.


Na trama, conhecemos Bernie (William H. Macy) um homem já rumando para fase final de sua vida que após anos lutando contra um vício em apostas acaba indo para em um famoso Cassino tendo que pagar durante seis anos uma dívida de jogo com o proprietário do lugar o indecifrável Shelly (Alec Baldwin). O curioso é que Bernie tem uma função como poucas outras, ele é o chamado ‘Má Sorte’, uma pessoa que acaba repassando essa estranha condição em mesas onde clientes estão ganhando muito dinheiro. Perto de enfim conseguir sua liberdade, faltando poucos dia para sua liberdade acaba se envolvendo em um intenso romance com Natalie (Maria Bello) uma funcionária do lugar além de um reencontro que lhe trará diversos problemas.


Se imagine em um lugar onde você não vê o tempo passar, consumido por viciantes impulsos que o leva a jogar e a jogar. Alegrias para alguns comemorando alguma data especial, eterno túnel inacabável para outros. Nesse último é onde se encontra o carismático personagem principal de The Cooler, nome do filme no original. Um homem introspectivo que vamos entendendo aos poucos, principalmente como lida com sua atual profissão assumindo ser um azarado por completo. Sua vida é cheia de reviravoltas, conflitos, dramas, abandonos, algo que acaba refletindo na falta de força de seguir rumo a um destino de felicidade, pegando muitas vezes a reta para uma eterna solidão. Impossível não se apaixonar pelo personagem brilhantemente interpretado por William H. Macy.


Em paralelo a essa trajetória rumo a um novo destino, encontramos Shelly e suas dificuldades em modernizar seu empreendimento, algo que trata como sendo sua única casa, onde possui o controle de tudo, onde não precisa dar satisfações a ninguém. Esse marcos de transitivos em negócios já foram abordados em outros filmes mas aqui ganham tons de violência, como se o medo da mudança ganhasse mais força que qualquer outra coisa. Aliás, esse ‘medo da mudança’ persegue tanto Shelly quanto Bernie.


Aqui refletimos em muitos instantes sobre o paradoxo existencial embutido no protagonista, quase uma gangorra, as vezes sorte, as vezes azar. O abstrato volta nessa história, trazendo o tal do Amor. Eita variável incontrolável, mais forte que qualquer Má Sorte. A partir daí as escolhas e o combate aos conflitos definem os rumos dessa marcante história. Belo filme disponível no Prime Video.



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