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Crítica do filme: 'Amira'


Seu pai é quem te criou mas será que um recorte geográfico envolto a um conflito é capaz de entender isso? Uma situação que se chega a um dilema, o começo, meio e fim de um recorte sobre um profundo drama familiar é o alicerce de Amira, filme que causou muitas polêmicas logo após seu lançamento pelo mundo, nas suas primeiras exibições em festivais de cinema. O conflito entre Israel e Palestina está contido nessa erupção dentro de uma família palestina, uma situação que leva a todos ao limite emocional muito por se sentirem perdidos em como lidar com a situação. Escrito e dirigido pelo cineasta egípcio Mohamed Diab, o filme nos leva a refletir sobre várias questões que vão desde uma complicada inseminação artificial até a força dos laços entre pais e filhos.

Na trama, conhecemos Amira (Tara Abboud), uma jovem adolescente palestina que vive com sua mãe Warda (Saba Mubarak) e outra parte de sua grande família em um apartamento simples mas onde nada falta. Seu pai Nuwar (Ali Suliman), é considerado um herói local e atualmente está preso em uma prisão israelense. Com o desejo desse último de ter mais um filho, ele resolve enviar seu esperma por meio clandestino (da prisão até o médico) para inseminar a esposa. A questão é que nos exames feitos antes da inseminação, apontam que Nuwar é estéril. Fato que causa muita estranheza já que Amira nasceu exatamente do mesmo processo, só que em uma época onde não tinha exame de DNA. Será que a esposa traiu o marido? Senão, de quem é o esperma que foi usado na inseminação? Uma erupção na família é vista, uma situação que leva a todos ao limite emocional muitos por se sentirem perdidos em como lidar com a situação.


Partimos do princípio que esse projeto é mais um filme que tem o contexto inserido na relação tumultuada entre Palestina e Israel. A partir daí, um gigante conflito se estabelece com uma surpreendente revelação médica. O procedimento médico, a inseminação artificial, ganha holofotes aqui. Acompanhamos a complicada estrada para essa gravidez que vai desde um sexo virtual, ao envio clandestino do esperma do pai até os médicos que farão a inseminação artificial. Mas por esse caminho complicado algo pode acontecer. Esse momento chave na trama, é a grande polêmica do filme principalmente sob a visão dos palestinos, fato que acabou retirando as chances de indicações ao Oscar do filme. Inclusive, a nota baixa do IMDb só tende a se justificar por conta de quem achou o filme um insulto.


Há uma visão de todos que giram ao redor da família sobre a questão chave do filme, o maior confronto acaba sendo entre a própria mãe e a filha. A primeira, que entendeu a verdade mais rápido que os outros busca a todo modo proteger sua filha. A segunda, parece estar sempre de acordo com o que o pai quer dentro de uma visão imatura sobre relacionamentos mas que acaba sendo exposta em uma situação que beira ao inacreditável mudando sua vida para sempre. O dilema aqui é: será a comunidade que ela vive, seus amigos, sua família, a tratarão da mesma forma se ela for filha de um Israelense e uma palestina? O amor de uma mãe é algo grandioso e ao longo dos conflitos vamos enxergando melhor essa relação tão profunda.


Há muitas outras reflexões que conseguimos enxergar no filme, e cada um pode ter a sua opinião. Um filme que mexe assim com nosso refletir se torna um que merece estar em uma prateleira de destaque. Amira, chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira (08). Imperdível!


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