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Crítica do filme: 'O Amante Duplo'


Os nós que a mente nos prega. Baseado no livro de Joyce Carol Oates intitulado Lives of the Twins (lançado no final da década de 80), O Amante Duplo, trabalho do sempre surpreendente cineasta francês François Ozon, nos leva para a gangorra dos sentimentos, dos traumas, do medo, também dos desejos, tendo como alicerce uma protagonista que parece estar em um enorme quebra-cabeça emocional. Você não consegue desgrudar os olhos do filme, é envolvente. Um drama disfarçado de thriller, que nos leva para uma análise de uma protagonista e suas emoções mais profundas.


O filme, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, nos mostra a história de uma mulher que trabalha em um museu chamada Chloé (Marine Vacth) que após uma consulta para saber sobre um desconforto na região da barriga acaba sendo orientada a procurar um terapeuta. Assim, ela chega em Paul (Jérémie Renier), com quem logo se envolve. A questão que após um tempo, ele descobre um segredo de seu novo par romântico: ele tem um irmão gêmeo que também é terapeuta. Assim acaba se envolvendo com esses dois homens e acaba descobrindo muitas surpresas nesse caminho.


Falar sobre a mente humana e ainda inserir a questão dos desejos é uma engenharia cinematográfica complicada. Aqui, fugindo das metáforas o máximo possível mesmo tendo implícitas algumas, vamos enxergando uma reta de surpreendentes revelações que ao final percebemos que há questões em paralelos que completam essa curiosa trama. A protagonista é um enorme enigma pois a princípio não sabemos direito um detalhe fundamental de seu passado, aquela peça que falta na engrenagem mas que torna tudo mais explicativo. Ozon usa de sua maestria para nos guiar nessa jornada que tem um grande fundamento no medo, no trauma, na manipulação, que por conta das razões humanas acaba encostando no desejo.



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