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Crítica do filme: 'O Perdão'


A culpa em contraponto ao perdão. Exibido no Festival de Berlim em 2020, o longa-metragem iraniano O Perdão nos mostra conflitos de dois personagens que passam pelo luto de formas diferentes e mesmo assim interligados por um mesmo acontecimento. Dirigido pela dupla Maryam Moqadam e Behtash Sanaeeha, vamos percorrendo o presente de personagens que buscam soluções em meio ao caos emocional de conflitos subsequentes à uma tragédia. Há um debate sobre alguns temas importantes ligados à justiça, principalmente sobre a pena de morte e também sobre a opressão contra as mulheres por conta das crenças e costumes do país islâmico situado no Golfo Pérsico.


Na trama, conhecemos Mina (Maryam Moqadam), uma mulher que trabalha em uma fábrica de leite, mãe de uma menina surda que acabou ficando viúva após seu marido ser preso e condenado à pena de morte no Irã. Um ano se passa e buscando soluções para seu presente, agora solteira e com uma filha pequena, acaba descobrindo que seu marido era inocente no processo que foi condenado. Buscando entender seus direitos pelo erro cometido pela justiça iraniana ela acaba sofrendo por alguns conflitos que se desdobram. Até que um dia Reza (Alireza Sani Far) aparece em sua porta, ela não sabe mas ele é alguém arrependido por uma sentença feita.


Uma mulher trabalhadora buscando seguir em frente com sua vida após uma injustiça feita com seu marido. Essa é apenas uma rasa definição sobre tudo que vemos ao longo dos quase 110 minutos de projeção. Há conflitos muito mais profundos. Somos testemunha de um recorte no presente dessa mãe que não consegue se desprender do luto. Aos poucos esse presente se torna uma rede cheia de conflitos. Um conflito com a família do falecido marido, muito por conta da indenização e o dinheiro que ficaram para ela.  No prédio onde mora, por ter deixado um homem entrar na sua residência e esse não sendo seu marido, acaba sendo expulsa de onde mora. As dificuldades de alugar um lugar para morar sendo uma mulher solteira em um país preconceituoso e onde o conservadorismo domina os costumes. As burocráticas idas a administração governamentais para entender seus direitos, até mesmo consegue uma indenização de 270 milhões de tomans iraniano (o que na conversão para real dá mais ou menos 35.000 reais)...mas quanto dinheiro do mundo vale a vida de uma pessoa?


Há também um profundo debate sobre a pena de morte que percorre todo o filme, principalmente quando sabemos sobre um dos personagens que aparece na trama, um juiz que se sente culpado pois na sua primeira condenação à morte acaba condenando um inocente.


O perdão do título chega por duas vias que não conseguem se desprender das emoções. Principalmente quando entendemos melhor a trajetória do misterioso Reza, um homem que não consegue se perdoar. Assim, mesmo com uma harmonia entre Mina e Reza, ambos não conseguem chegar ao ponto de um equilíbrio para qualquer tipo de relação. Pra onde quer que olhemos, para todos os conflitos vistos aqui, conseguimos refletir de maneira profunda sobre assuntos que precisam serem discutidos pela sociedade.



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