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Crítica do filme: 'O Clube dos Anjos'


Você tem fome de quê? Baseado na obra homônima do escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, O Clube dos Anjos nos apresenta um inusitado recorte sobre a gula, onde a amizade, o posicionamento político, questões existenciais, reflexões sobre o luto e a morte acabam sendo inseridos em banquetes que geram diversas interpretações. Navegando pelo drama de alguns acontecimentos, o projeto tem sua essência e força na comédia. Exibido, em sessão única, no Festival do Rio de cinema, o longa-metragem é dirigido pelo cineasta niteroiense Angelo Defanti, em seu primeiro filme de ficção.


Na trama, exibida pela primeira vez durante o Festival de Gramado, conhecemos um grupo de amigos, desde os tempos do colégio que por conta do gosto em comum pela comida, criaram um grupo onde se encontravam todo mês para se deliciarem com o melhor da culinária. Mas ao longo do tempo, e com o falecimento do chef que cozinhava para eles, o afastamento foi algo lógico. Só que um deles, Daniel (Otávio Müller), inusitadamente conhece um misterioso chef chamado Lucídio (Matheus Nachtergaele) e assim convida novamente todos os integrantes do grupo para se reunirem mais uma vez. Após o encontro, e de toda comilança, um deles amanhece morto. Buscando entender o que houve, eles entram em grandes debates e nas dúvidas se devem se reunir novamente.


Adaptações de livros para cinema, um fato recorrente ano após ano, sempre tem muito da visão de quem escreve o roteiro e dirige o filme, principalmente em tramas que podem levar ao público inúmeras interpretações. Em Clube dos Anjos, o sarcasmo rola solto, seja na polarização política (que vemos muito nos dias atuais), nos embates sobre a morte, as maneiras de lidarem com o luto, nos conflitos e escolhas de amigos que possuem a comida como um elo na história deles. O público ri e reflete, a interação é constante, da Paella aos Bifes mais saborosos, é fácil embarcar nessa loucura que escancara a natureza humana. Com pouco mais de 100 páginas, lançado no final da década de 90, o livro de Veríssimo pode ser uma boa de se conferir caso você queira traçar paralelos com o que refletiu sobre o filme.


Ao longo do filme, impossível não pensarmos naquela letra de uma música famosa escrita por Arnaldo Antunes, Sergio Britto e Marcelo Fromer... ‘A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!’ Questões que envolvem a sociedade e suas ansiedades (fator muito ligado à gula) são vistas nas características dos personagens. As escolhas estão à disposição todo instante, se colocam à frente, mostrando os limites do ser humano, até com uma visão pessimista sobre os poucos momentos onde sentem o prazer de viver, aqui representado pela comida.


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