Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Os Piores'


Vencedor da Mostra Um Certo Olhar em Cannes, o longa-metragem francês Os Piores nos leva a uma gangorra de emoções em uma história profunda sobre alguns jovens de um bairro francês que são chamados durante o verão para realizar um longa-metragem. A questão aqui é que seus personagens no filme acabam de alguma forma tendo uma relação impactante com a realidade deles em um mundo repleto de altos e baixos. Um primoroso trabalho das cineastas Lise Akoka e Romane Gueret. Um dos melhores filmes da seleção do Festival do Rio desse ano.


Na trama, conhecemos Lily (Mallory Wanecque) e Ryan (Timéo Mahaut), dois jovens que moram no mesmo bairro e após uma seleção são selecionados para interpretar personagens em um filme chamado ‘Pissing in the North Wind’ que será rodado no bairro com direção do cineasta belga Gabriel (Johan Heldenbergh). Lily é uma jovem que possui um terrível trauma na sua vida, seu irmão pequeno, a quem era muito ligada, faleceu de câncer recentemente e no bairro é alvo de bullying. Já Ryan, meio rebelde, parece segurar suas emoções, é um jovem que não mora com a mãe e vê na irmã uma força maternal. Os dois, no filme vão interpretar irmãos e durante as gravações muitas emoções irão surgir e também novos conflitos.


A metalinguagem aqui proposta é um impulso para identificarmos os paralelos entre o filme dentro do filme e a realidade dos personagens nos seus cotidianos durante o processo de filmagens. E isso é feito sob algumas perspectivas. Tem a visão dos moradores do bairro que, em sua maioria, acha que a produção do filme está escolhendo os jovens mais problemáticos (daí o título do filme). Tem a visão da própria produção do filme que precisa lidar com os protagonistas não profissionais e todo o estresse do diretor durante as filmagens. E a visão dos próprios protagonistas e tudo que aprendem nos intensos dias de filmagens durante o verão. As cineastas Lise Akoka e Romane Gueret parecem ter uma grande observação sobre esse olhar focado nos bastidores de uma produção cinematográfica. Elas já haviam feito um curta-metragem de 28 minutos chamado Chasse Royale (2016), tratando sobre uma audição para um filme.


A curva de aprendizado para os envolvidos acaba sendo um destino que a princípio parecia improvável mas que aos poucos vamos vendo na tela. Temas como sexualidade, bullying, maternidade, amizade, referências na vida, ética, moral, são vistos nos ágeis diálogos do ótimo roteiro (que também é escrito pelas diretoras e Elénore Gurrey). Se o objetivo desse projeto era conseguir nossa atenção sobre a questão de um processo de filmagens, Os Piores consegue mais que isso, consegue nossa atenção para um recorte onde a maturidade corre em passos largos para combater as desilusões que aparecem sem avisar.



Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...