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Crítica do filme: 'Veja como eles Correm'


Pulsante comédia com muitas referências ao processo criativo. Sabe aquele jogo famoso de tabuleiro chamado detetive criado no início da década de 40 pelo músico e compositor inglês Anthony Ernest Pratt que foi um sucesso no planeta antes da era digital? Veja como eles Correm longa-metragem que estreou no mês de dezembro no catálogo da Star Plus busca sua interação dentro de uma comédia com camadas generosas de suspense, naquele estilo já bem conhecido do ‘quem matou?’, flertando com a metalinguagem e abordando o processo criativo de forma leve e bem-humorada. Tudo isso em um recorte pelos bastidores encantadores mas também avarentos da cena teatral londrina dos anos 50.


Na trama, primeiro longa-metragem da carreira do cineasta britânico Tom George, ambientada em uma Londres dos anos 50, mais precisamente na badalada West End (tipo uma Broadway inglesa) conhecemos os bastidores da peça A Ratoeira, da famosa escritora britânica Agatha Christie, onde após uma comemoração de artistas e produtores pela centésima apresentação, Leo (Adrien Brody), o futuro diretor da adaptação cinematográfico da obra é encontrado morto. A partir desse crime, entram em cena o Inspetor Stoppard (Sam Rockwell) e a jovem policial Stalker (Saoirse Ronan) que se jogam em uma série de entrevistas para a resolução do assassinato.


Flertando com a metalinguagem, em debochados diálogos, Veja como eles Correm reflete sobre o processo criativo na figura de artistas do entretenimento, um olhar bastante curioso sobre o que acontece atrás das cortinas. O ego, o narcisismo, o pensamento capitalista embutido no meio da arte, entre outras características ganham modelagens cômicas nesse projeto alto astral que até mesmo quebra a quarta parede em um momento específico.


Repleto de referências sobre a cena teatral britânica, o roteiro assinado por Mark Chappell nos leva a uma série de homenagens para uma montagem do livro já mencionado, e de sucesso, da dama do mistério Agatha Christie. Richard Attenborough e a sua mulher, Sheila Sim, no filme representados por Harris Dickinson e Pearl Chanda, respectivamente, foram alguns dos primeiros artistas a interpretar os papéis no teatro. Pra quem não conhece, Sir Richard Attenborough interpretou anos mais tarde, no cinema, o personagem John Hammond na franquia Jurassic Park.


Mas tem mistério também! Caminhando pela estrada da experiência em contraponto a inexperiência, o filme nos mostra os conturbados momentos da investigação na visão de um alcóolatra emburrado e uma jovem aprendiz do departamento de polícia. Sempre de forma leve e puxando ganchos importantes sem perder a trama principal, Veja como eles Correm é um agradável passeio por uma década de 50 em grande ebulição no cenário artístico europeu (sempre impulsionado pelo o que acontecia em outro continente, lá na América do Norte, nos Estados Unidos, numa uma Hollywood a todo vapor) onde você podia atravessar a rua e encontrar nomes que estariam na história do mundo das artes.



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