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Crítica do filme: 'É Apenas uma Fase, Amor'


Os desenrolares da frustração e as novas chances que o destino reserva. A simpática fita alemã É Apenas uma Fase, Amor, disponível no catálogo da HBO Max, aborda uma enorme crise em um relacionamento de anos, de um casal que para todos era perfeito, navegando de maneira divertida e também emocionante na constatação da infelicidade dentro de um conceito que explora o envelhecimento precoce de toda a geração X. Dirigido pelo cineasta Florian Gallenberger, vencedor do Oscar de Melhor Curta-metragem em 2001 com o filme Quiero ser (I want to be...).


Na trama, ambientada na cidade de Colônia, na Alemanha, conhecemos um escritor Paul (Christoph Maria Herbst), pai de três filhos, já batendo nos quarenta e poucos anos, que passa por uma fase de observação sobre a importância do sexo na sua vida o que também o leva a refletir sobre como era no passado. Sua esposa, Emilia (Christiane Paul), uma atriz que trabalha como dubladora, já dá sinais de esgotamento pela distância que os separam, diferente de outros tempos onde eram bem mais animados e grandes desbravadores das estradas da vida. Eles então enfrentam uma iminente separação que vão fazer com que essas duas almas repensem sobre tudo que viveram (e como querem viver) suas vidas a partir dessa ruptura.


O filme navega em cima de um conceito próximo de uma grande sessão de terapia onde vemos os personagens, cada qual na sua ótica, se redesenharem para seus destinos através da emoções conflitantes de um término. Os amigos que os cercam acabam sendo variáveis importantes dentro dessa linha de aprendizagem que eles passam, aos olhos deles, inclusive, esse casal era o mais perfeito exemplo de sucesso num relacionamento. Em ótimos diálogos, os personagens parecem que passam a se conhecerem melhor quando embarcar nas reflexões do olhar do outro.


A frustração é algo que caminha na trajetória desses carismáticos personagens. Na visão de Emilia, o sexo, a intimidade, ganharam outros contornos ao longo do tempo fatos que a fizeram se sentir deveras infeliz, quase em uma prisão, sem tempo de respirar. Paul, parece estar perdido nos recentes fracassos de sua escolha profissional, vive dos primeiros sucessos dele no ramo literário, uma estrela em ascensão que logo caiu em um marasmo onde não consegue mais emplacar grandes obras num mercado consumido pelas novas óticas, novas maneiras de enxergar o mundo tão dinâmico e cheio de variáveis, algo que se reflete na sua vida pessoal. Quando chega a ruptura, é bonito ver como os reflexos da dor de uma separação podem se tornar fortes laços para duas almas que não desistem de se reencontrar.



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