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Crítica do filme: 'O Pálido Olho Azul'


As pessoas que perdemos estão sempre com a gente. Reunindo uma trama cheia de mistérios, dois impactantes personagens em busca de respostas para curiosos crimes em uma Nova Iorque de 1830, O Pálido Olho Azul apresenta suas verdades com muitas informações onde perguntas entram e saem da nossa imaginação até o eletrizante desfecho. Um assassinato movido à vingança? Uma morte contextualizada por algum tipo de ritual? Será que tem algo haver com influência de poderes sobrenaturais? Escrito e dirigido pelo ótimo cineasta Scott Cooper, baseado em um livro do escritor norte-americano Louis Bayard, O Pálido Olho Azul surpreendente a todo instante.


Na trama, ambientada na região de Hudson Valley, conhecemos Augustus Landor (Christian Bale), um inspetor notável, com grandes mistérios resolvidos na carreira, também viúvo, filho de um pastor que passou com um forte trauma num passado recente onde perdera a esposa e logo depois sua filha desapareceu. Certo dia, ele recebeu uma inusitada proposta de trabalho de integrantes da alta patente da famosa Academia Militar Norte-Americana (West Point) para buscar soluções para uma estranha situação num espaço onde fica localizada a Academia, onde um cadete teve o coração arrancado após ser encontrado enforcado. Sofrendo ainda em busca das primeiras pistas, acaba encontrando com um outro cadete da academia militar, Edgar Allan Poe (Harry Melling) um leitor assíduo, inteligente, entusiasmado com que formará uma dupla para resolver o caso.


Há muitas informações durante toda a narrativa, o espectador deve ter uma atenção redobrada para não perder peças pelo caminho já que as linhas do roteiro são repletas de mistérios e reviravoltas. A busca pelo sobrenatural em paralelo à angústia acaba formando uma equação deveras profunda que traça um raio-x importante de alguns dos personagens. Explorando o universo sempre confuso do ocultismo, dos ligados em magias e rituais, até mesmo interpretações para tal de uma enigmática família, caímos em reflexões sobre o entendimento do ser humano sobre o universo das coisas fora do comum e sua busca incansável pelo miraculoso.


Uma subtrama importante é a caminhada de Landor até aquele presente, um homem amargurado com tudo que o destino lhe tirou, como se uma pedra estivesse em cima de qualquer lapso de felicidade. A curiosidade em torno da presença de um Edgar Allan Poe na solução de um crime (aqui um homem que recebe inspirações para poesias de sonhos), é uma cereja no bolo, ainda mais com uma atuação maravilhosa de Harry Melling. Aos poucos, os olhares mais atentos, percebem que estamos rumando para algumas propostas de soluções que estão andando lado a lado cada qual com seu objetivo e tendo como premissa a afirmação sobre a vida e a morte: onde uma acaba a outra começa.



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