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Pausa para uma série: 'A Garota na Fita'


A busca pela verdade. Baseada na obra La Chica de Nieve, do autor espanhol Javier Castillo, a mais nova minissérie espanhola disponível no catálogo da Netflix, A Garota na Fita, ao não optar pela linearidade, sua narrativa se joga num ping pong temporal que aborda muitos temas angustiantes. Há duas estradas que o espectador segue, a do desaparecimento de uma criança e a do trauma que a protagonista sofreu no passado. Com seis episódios ao todo, o projeto começa em janeiro de 2010 em Málaga e vai se seguindo por quase 10 anos em uma busca desesperada dentro de um labirinto de informações.


Na trama, conhecemos um casal com uma filha pequena que vai até o tradicional Desfile dos Reis Magos nas ruas de Málaga, na Espanha. Durante o evento, a filha deles desaparece, levando a uma busca durante anos. A jornalista Miren (Milena Smit) fica obcecada pela investigação e resolve da sua forma ajudar a solucionar o mistério.


Há uma melancolia ligada à angústia que envolve a trama, dentro dos dois dramas que estão no foco. Há a dor e desespero da família, dependendo da polícia e uma investigação jornalística para ter alguma notícia da filha, vemos a transformação desses personagens ao longo de momentos chaves dos nove anos que navega a trama. Há também os traumas gigantes sofridos por Miren, sua relação próxima com o professor da faculdade (interpretado pelo ótimo Jose Coronado), sua busca por ajuda para conseguir seguir em frente e a obsessão pela verdade sobre o caso que parou o país.


As rupturas de tempo e espaço, alicerce de roteiros não lineares, aqui funcionam como prévias de reviravoltas. Os episódios são muito bem definidos dentro da narrativa, com hiatos, passagens de tempo em três linhas temporais que dentro das idas e vindas propostas, acabam se complementando como se cada um deles fosse uma peça de um quebra-cabeça investigativo.



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