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Crítica do filme: 'Entre Mulheres'


Os traumáticos absurdos para se chegar ao basta. Trazendo para o público reflexões sobre um choque de realidade, que envolve a fé, nascido através da violência cruel de homens contra mulheres, a premiada atriz e cineasta Sarah Polley apresenta um recorte de algumas mulheres  vivendo uma realidade ultraconservadora dentro de uma comunidade, que destrói qualquer ideia de modernidade no seu cotidiano, inclusive onde as mulheres não podem aprender ler, que precisam decidir em pouco tempo como buscar um futuro melhor para elas e seus filhos. Baseado na obra Women Talking da escritora canadense Miriam Toews, e indicado à dois Oscars em 2023, nas categorias Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, Entre Mulheres é um filme urgente, importante e impactante.


Na trama, ambientada em 2010, conhecemos um grupo de mulheres de uma comunidade religiosa menonita que se reúnem de forma urgente para decidir sobre as opções para seus futuros após serem vítimas de abusos sexuais, sedadas e estupradas por homens dessa mesma comunidade. Elas precisam decidir se fogem ou ficam e lutam antes que os seus agressores voltem.  A história do filme se baseia nos fatos reais relatados no livro de Towes, ocorridos na colônia de Manitoba, uma remota comunidade menonita aqui na América do Sul, na Bolívia, mesmo que na adaptação cinematográfica não seja revelada sua localização.


Como transformar a dor em combustível para mudanças? As visões de mulheres de todas idades são muito bem detalhadas nesse importante projeto. Vemos os sonhos, as desilusões, a angústia, o sofrimento, as dúvidas, os entendimentos sobre a fé, o medo, pelos olhos delas. A questão da fé é muito presente, o choque da realidade em relação ao que acreditam e os absurdos que viveram contornam a narrativa com argumentos expostos em intensos diálogos ao longo de quase 110 minutos de projeção.


Há uma traição da fé por conta do entendimento de pacifismo? Os dilemas são inúmeros, o ódio pelo conhecido e o embarcar no desconhecido se chocam nos medos e dúvidas sobre a única casa que elas já conheceram. Como todo bom filme, há muito nas entrelinhas. Tendo a canção Daydream Believer em sua trilha, que aqui bate na tecla do sonhar acordado a partir do basta para sair de uma situação absurda, a destacada trilha do filme é composta pela artista islandesa Hildur Guðnadóttir que também compôs a trilha de Tár, outro filme concorrente em algumas categorias no Oscar desse ano.


O público não desgruda um minuto do que assistimos na tela, Entre Mulheres é um tocante filme, profundo, que mostra mais um capítulo nos absurdos cometidos contra mulheres. Um enorme e incansável grito de BASTA!



 

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