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Crítica do filme: 'Meu Nome é Chihiro'


Se você quer saber quem é, é preciso olhar nos olhos. Indo na contramão de um aparente vazio existencial, explorando os encontros com diversos personagens de uma ex-acompanhante que trabalha numa tenda de bentô (marmita japonesa levada para viagem), Meu Nome é Chihiro apresenta um recorte sobre a importância dos recomeços. Com seu ritmo candenciado, com longas pausas para reflexões existenciais, o longa-metragem dirigido pelo japonês Rikiya Imaizumi chegou ao catálogo da Netflix nesse início de 2023.


Na trama, conhecemos Chihiro (Kasumi Arimura), uma jovem cheia de energia, leitora de mangá, que faz a diferença na vida de muitas pessoas, com simples gestos. Ela abandonou a vida como acompanhante em uma casa de massagens para trabalhar num pequeno estabelecimento em uma região litorânea japonesa. Parece se dar bem nesse recomeço na vida, exala alegria por onde passa mas por dentro as reflexões do passado se juntam a histórias de muitos personagens que vão cruzar seu caminho ao longo das pouco mais de duas horas de projeção.


A protagonista é um grande enigma, mas se encaixa mesmo como uma alegoria da solidão mesmo aparentemente sendo uma inimiga dessa mesma atmosfera. Há uma melancolia camuflada de ternura. Nômade em busca de respostas de sua própria identidade, se compromete a ajudar quem for que precise como se a cada resolução de conflito fosse uma resposta que ela precise para seguir no seu caminho. O exercício de tentar compreender a personagem nos leva a reflexões com paralelos sobre a relação humana.


A narrativa não deixa de ser dinâmica. Reflexões sobre a vida e a morte se tornam constantes e mesmo sem conhecer por completo o passado de Chihiro aos poucos vamos entendendo melhor sua história. Rodado todo em Hiroshima, cidade essa destruída por uma bomba atômica na Segunda Guerra Mundial, aos poucos vamos entendendo que essa história é sobre as maneiras que podemos enxergar a arte de recomeçar pelos olhos de uma dona de um vazio, uma solidão nada aparente. 



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