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Crítica do filme: 'Piggy'


Uma ideia de curta que virou longa. Assim como outros projetos, como o aclamado Whiplash, por exemplo, Piggy, escrito e dirigido pela cineasta espanhola de 48 anos Carlota Pereda, em seu segundo longa-metragem da carreira, tem uma ideia oriunda de um curta-metragem homônimo (no caso Cereda, o título original). Nesse impactante suspense que encosta no terror a todo instante, ganhador de prêmios no Goya e exibido em San Sebastian e no Festival do Rio, acompanhamos o quanto pode ser triste e infeliz a vida de uma adolescente consumida emocionalmente pelas intimidações do bullying. O medo, variável constante nessa história, ganha novos significados com um iminente dilema. 


Na trama, conhecemos Sara (Laura Galán), uma adolescente que sofre fequetemente bulliyng das outras garotas da região onde mora, até mesmo de uma ex-amiga do qual era muito próxima num passado recente. Certo dia após ir nadar sozinha, numa espécie de piscina que tem no local, num horário onde não tina ninguém, acaba passando por mais uma situação constrangedora, tendo suas roupas roubadas e precisando voltar pra casa com o que não foi roubado. Nessa caminhada, seu destino cruzará com uma série de pessoas e situações que a colocarão no centro de escolhas aterrorizadoras.


A narrativa se joga para cima de um tripé abstrato ligado ao emocional (uma reunião de sentimentos vividos até ali) que envolve o terror, a culpa e o medo. O terror aqui tem várias camadas. Tem o bullying, o terror social que parece ser atemporal, cada vez mais cruel nos tempos dinânicos do instantâneo. Tem o comportamento psicopata, do assassino sem remorso e empatia. Essas linhas se cruzam dentro da narrativa, principalmente porque enxergamos os dilemas que chegam pela ótica da protagonista.


A culpa é um elemento predominante nas ações dos personagens, algo que gera mutias reflexões pelos diversos pontos de vistas sobre a questão. A protagonista não entra em uma estrada de redenção, vítima de difamações por toda uma juventude cruel que respira os esteriótipos das capas de revistas, o confronto maior é entender o sentido de medo, um estado paralisador do imaginário ao real.


O filme, entrou recentemente no catálogo da Paramount Plus. É um projeto de cerca de 100 minutos que traz críticas sociais importantes, mais um forte olhar para a intimidação vexatória que cisma em não sumir de atos cruéis de muitos jovens por aí.




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