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Crítica do filme: 'Rye Lane: Um Amor Inesperado'


Um dia muito especial. Em seu primeiro longa-metragem da carreira, a cineasta de 33 anos, Raine Allen-Miller, traz aos olhos do público uma narrativa dinâmica, inteligente, pulsante, atual, que aborda as desilusões amorosas por meio de dois personagens que estão se recuperando de términos recentes. Escrito pela dupla Nathan Bryon e Tom Melia, Rye Lane: Um Amor Inesperado é cativante, com diálogos memoráveis, faz refletir sobre conflitos de muitos, em muitas idades, sem perder o ritmo contagiante tendo como plano de fundo a parte de Londres que fica ao sul do rio Tâmisa.


Na trama, conhecemos Dom (David Jonsson) e Yas (Vivian Oparah), dois jovens que se encontram de forma inusitada, numa galeria de arte e resolvem sair daquele lugar e irem andando pela cidade onde moram. Aos poucos vamos conhecendo essas duas almas. Dom é um jovem desiludido, até mesmo depressivo, abalado profundamente pelo término de um relacionamento onde descobriu por meio de uma foto que seu melhor amigo o estava traindo com sua namorada. Contador de profissão, tem uma paixão por música. Já Yas é super alegre, com uma energia contagiante. Ela tem o sonho de ser figurinista e também está passando por um recente término de relacionamento com feridas ainda em aberto. Essas duas almas vão buscando entender um ao outro enquanto se conhecem melhor.


Situações de relacionamentos passados contornam esse dia especial. O pontapé da história, e onde a narrativa mantém sua base, é o complexo universo dos términos de relacionamentos. Nesse mundo tão instantâneo em que vivemos, onde a informação aparece por todos os lados, as dores e conflitos de um término se tornam cada vez mais incômodas quando pensamos na nossa privacidade. Quando não temos alguém para dividir mais profundamente o que estamos sentindo, tudo fica maior. Nessa parte, a do desabafo, é onde esse filme consegue jogar sua âncora nos fazendo a seguinte pergunta: como alguém tão diferente de mim consegue me entender tanto? Mas depois, outra é logo feita: Mas será que esse outro alguém é tão diferente de mim?


Em menos de uma hora e meia de projeção um leque de reflexões aparece em nossa frente, seja para mostrar a vida ao sul de Londres, seja para conhecermos gostos e conflitos dos carismáticos personagens. Há tempo também do roteiro falar sobre imigração, assunto muito debatido em todo o mundo. Nesse ponto, conhecemos um pouco mais sobre Brixton, bairro ao sul de Londres, um lugar com muitos descendentes de jamaicanos.


Com participação especial de Colin Firth (em uma cena rápida e bem engraçada), esse projeto lançado diretamente no streaming da Star Plus aqui no Brasil, é um filme contagiante, com personagens carismáticos, que reflete sobre as dores dos amores mas também abre uma janela de esperança de que mesmo quando tudo parece perdido, sempre há alguém para se encontrar por esse mundão.



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