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Crítica do filme: 'Cadê o Amarildo?'


Um caso que chocou o Brasil e até hoje com pontas soltas. Trazendo para o público mais um olhar para uma história que completa 10 anos em 2023, uma abordagem policial feita por membros da UPP da rocinha, no Rio de Janeiro e o sumiço de um ajudante de pedreiro, o novo documentário da Globoplay Cadê o Amarildo? ao longo das quase duas horas de projeção, busca encontrar mais respostas através de depoimentos da família, das autoridades policiais da época, de testemunhas nunca ouvidas e do julgamento de policiais envolvidos em uma ação que até hoje parece ter peças que não se encaixam. A dor e o sofrimento dos familiares também é mostrada, uma busca por justiça constante ao longo de todo esse tempo.


O contexto por aqui é muito importante para entendermos melhor tudo que se passou. Implementada em 2008 no Estado do Rio de Janeiro, no governo do ex-governador e depois condenado pela justiça Sergio Cabral, as Unidades de Polícia Pacificadora, conhecidas por UPP, eram uma aposta das autoridades do Rio de Janeiro para o combate ao tráfico de drogas nas favelas cariocas e uma melhor relação entre os moradores e a polícia. Dentro desse cenário e uma pressão por resultados da polícia na maior favela carioca desencadeou uma série de ações que culminou na abordagem e sumiço de Amarildo.


O documentário, produzido pelo Jornalismo da Globo, busca recriar o passo a passo de Amarildo na noite do sumiço, contando também com uma reconstituição com atores e um cenário virtual. Depoimentos na justiça de todos os envolvidos e autoridades da época são mostrados, além dos pontos de vistas de quem acompanhou o caso desde seu início. Alguns desses depoimentos são impactantes, chocantes, até mesmo contraditórios. Dá pra sentirmos um pouco da dor de uma família que perdeu um membro querido de forma tão violenta e até hoje não foi indenizada pelo Estado.


Com direção de Rafael Norton, direção de produção de Clarissa Cavalcanti e roteiro de Andrey Frasson e João Rocha, o documentário tem o mérito de conseguir criar uma narrativa cinematográfica interessante, pulsante, com um trabalho de pesquisa e investigação jornalística que se destacam, não deixando de mostrar detalhes importantes desse caso que é uma emblemática crítica social e política em um país que se pergunta há 10 anos: Cadê o Amarildo?

 

 

 

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