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Crítica do filme: 'Contagem Regressiva' (Revisão)


Quase três décadas atrás chegava aos cinemas de todo o mundo um longa-metragem com alta carga de tensão que nos apresentaria um dos mais cruéis vilões da década de 90, um especialista em explosivos com sede de vingança. Dirigido pelo cineasta jamaicano Stephen Hopkins, estrelado pelos espetaculares Jeff Bridges e Tommy Lee Jones, Contagem Regressiva gira em torno das memórias de um passado repleto de violência em um país onde o conflito armado era algo cotidiano e as opções que existem em seguir em frente ou se amarrar em pensamentos conflitantes. A aflição, a inquietação estão bem evidentes nas composições de personagens antagônicos que encaram seus traumas e inseguranças numa linha tênue entre o desassossego e o nada a perder. Na trilha sonora a famosa canção do grupo irlandês U2, With or Without You.


Na trama, conhecemos Jimmy Dove (Jeff Bridges), um boa praça, querido por todos, experiente oficial do esquadrão antibombas da cidade de Boston, já perto da aposentadoria, que vive uma vida repleta de adrenalina mas com tons de felicidade já que está prestes a oficializar o relacionamento com a namorada, a violinista Kate (Suzy Amis). Em paralelo a isso, um perigoso irlandês chamado Ryan Gaerity (Tommy Lee Jones), especialista em explosivos, escapa de uma prisão de segurança máxima chamada Castle Gleigh e embarca para os Estados Unidos em busca de vingança começando a tocar o terror pela cidade de Boston atingindo todos ao redor de Jimmy. Aos poucos vamos descobrindo segredos do passado do protagonista, que está ligado à Gaerity. Assim um duelo é estabelecido.


Como superar um trauma? O ótimo roteiro flerta com as maneiras que o ser humano tem de enfrentar marcas angustiantes de um passado. Jimmy esconde de todos quem era e o que fez no início de sua fase adulta na Irlanda, isso é algo que ele precisa enfrentar na sua nova vida, no renascer que lhe fez suportar as atrocidades que passaram na sua frente mas sem deixar de pesadelos corroerem noites aliado a um medo imperceptível mas em todas as vivas memórias. As linhas do roteiro possuem respiros para o refletir do espectador junto a uma desconstrução profunda de seu protagonista que entra em colisão com os maiores medos quando se vê com as mãos atadas.


A obsessão é a semente das ações de quem não tem nada a ganhar e nada mais a perder. Do outro lado dessa história, conhecemos um psicopata, agressivo, violento, que usa da sua inteligência para alimentar sua sede de vingança guardada nos pensamentos das décadas onde esteve preso, sem contato com o mundo. A dificuldade do remorso e suas interpretações para o que houve na Irlanda anos atrás o colocam como uma verdadeira bomba relógio capaz de qualquer coisa para cumprir seu desejo de magoar intensamente quem enxerga como inimigo mortal. A narrativa e toda a construção audiovisual de Hopkins e equipe fazem os dois personagens brilharem em cenas repletas de tensão por todos os lados.


Esse projeto tem algumas curiosidades. O primeiro deles, e que poucos sabem, é que Jeff Bridges recusou o papel principal no filme Velocidade Máxima para realizar esse longa. Sorte do Keanu né? Ambos os filmes foram lançados no mesmo ano, sendo que o estrelado por Reeves alcançou um sucesso bem maior. Outro fato curioso é que o filme tem vários vencedores do Oscar no seu elenco, além de Bridges e Jones, Forest Whitaker tem um papel de destaque, além de Cuba Gooding Jr., esse último apenas com uma participação. Outro fato: No filme, Jeff contracena com o pai Lloyd Bridges


Saudades daqueles ótimos filmes de ação dos anos 90? Corre e vá conferir Contagem Regressiva, disponível na Prime Video.



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