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Crítica do filme: 'Depois de Ser Cinza'




A palavra certa que esclarece sentimentos. O perdão, as abruptas despedidas, a culpa, o adeus, como lidar com assuntos mal resolvidos, são alguns dos caminhos que passam Depois de ser Cinza longa-metragem dirigido por Eduardo Wannmacher, com roteiro de Leo Garcia. O projeto rodado em Porto Alegre e na Croácia, nos transporta para pontos de vistas de três personagens femininas apresentando com detalhes e inúmeras interpretações através de um mesmo homem que se relacionou com elas.


Na trama, conhecemos Raul (João Campos), um sociólogo gaúcho, com pós em antropologia, com intensas crises de ansiedade, perdido em histórias de amor no passado que não tiveram o final que queria. Num primeiro momento conhecemos seu encontro com a artista Isabel (Elisa Volpatto) na longínqua Zagreb, uma imigrante brasileira amargurada, inquieta que parece buscar encontrar sentidos para seu presente. Em meio a apresentação desses dois estranhos, mentiras, dificuldades em se abrir se colocam em evidência e assim vamos conhecendo também a história de Suzy (Branca Messina), uma estudante que extravasa seus vazios existenciais em festas e consumos desenfreados de seus vícios, presa na conflituosa relação com o pai, um pesquisador que já se foi, talvez o grande amor da vida de João. E em paralelo, chegamos na história de Manuela (Silvia Lourenço), uma terapeuta bem sucedida que não consegue se desprender da perda de um grande amor que agora está com sua irmã e num momento de sua vida também se envolve com João.


Os perigos de uma única verdade. A narrativa fragmentada em tempos onde giram em torno de fortes emoções à princípio pode parecer confusa mas os elos se encontram ao longo dessa história. E mesmo se perdendo na linha do tempo, o que importa é a força dos sentimentos que fazem nossos olhos cruzarem com o real sentido dessa história. O imaginário das relações e os embates com a dura realidade permeiam momentos chaves na vida de um protagonista que não se desprende de sua rotina de angústia. As transformações pessoais, que acontecem para todos os personagens, ganham luz principalmente através do olhar das mulheres que cruzam o caminho do protagonista.


Ebulições emocionais, pessoas em conflitos, qual o limite para o vazio existencial? O que é interpretado como ajuda ou como necessidade? Através de olhares distintos rumamos à melancolia, até mesmo um estado de tristeza profunda tendo como pilar central o não se conformar. Depois de ser Cinza, brinda o público com cenas belissimamente bem filmadas sem esquecer do refletir de que na vida nem tudo são flores sendo importante as alegrias e tristezas que lidamos pela nossa jornada emocional.



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