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Crítica do filme: 'Todo Poderoso' * Revisão*


A diferença entre um truque de mágica e um milagre. De forma leve e descontraída, chegava aos cinemas 20 anos atrás um projeto que mistura uma crise de existência a uma absurda hipótese de um homem que vira Deus por alguns dias. Todo Poderoso, dirigido por Tom Shadyac, baseado na obra Almighty Me, escrita no início dos anos 90 por Robert Bausch, caminha pela comédia sem deixar de atingir o drama e as reflexões sobre a vida. O longa-metragem, que fora proibido de ser exibido no Egito, é protagonizado por Jim Carrey, sendo até hoje o seu filme de maior bilheteria da carreira.


Na trama, ambientada na cidade de nova iorquina de Buffalo, conhecemos Bruce (Jim Carrey) um repórter que está há anos buscando o cargo de âncora mas sem muito sucesso. Ele namora a carinhosa professora Grace (Jennifer Aniston). Após um dia horroroso, onde inclusive tem um surto numa reportagem ao vivo, acaba encontrando Deus (Morgan Freeman) que lhe oferece ter seus poderes por alguns dias. Brincando de ser o todo poderoso, vai aprender lições valiosas sobre algumas de suas repetidas atitudes.


Quem nunca pensou o que faria se pudesse fazer tudo? Partindo desse fantasioso contexto, e tendo a comédia como forte elo, o longa-metragem traz de forma muito divertida diversas situações que embaralham os desejos com o poder. Sem ter autorização a modificar o livre-arbítrio, o protagonista nos guia para profundos dilemas do cotidiano do ser humano e como as nada equilibradas formas de levar a vida acabam influenciando pessoas ao nosso redor. Num momento parece estarmos em um enorme divã filmado, como se fosse uma enorme investigação ao inconsciente que se torna presente. Nesse ponto, o espectador começa a traçar interessantes paralelos com a realidade.


A fé não deixa de ser um elemento presente. O acreditar em Deus, as orações, as diversas formas de enxergar a vida, a narrativa se desenvolve em cima de vários olhares para o que seria de fato a representação de um milagre. O sucesso da produção foi estrondoso, batendo recordes e o interessante de fazer algo parecido chegou até bollywood. Oito anos após o lançamento do filme, um remake indiano chamado God Tussi Great Ho, estrelado por Salman Khan, foi lançado.


Caminhando pela comédia o projeto não deixa de atingir o drama dentro do contexto da crise existencial, uma ideia simples que fixa no imaginário se tornando atemporal. Pra quem se interessar em assistir, o filme está disponível na Star Plus.



 

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