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Crítica do filme: 'Camaleões'


Depois de dirigir uma série de clipes musicais de renomados artistas, o cineasta norte-americano Grant Singer assume a batuta de um intrigante suspense, com algumas reviravoltas pontuais, que mostram mais uma vez todo o talento de um dos grandes atores da atualidade, o porto-riquenho Benício Del Toro (que aqui também se arrisca pela primeira vez como roteirista). Camaleões, um dos grandes lançamentos da Netflix nesse segundo semestre, nos guia através de um introspectivo protagonista que precisa resolver um misterioso caso de assassinato ao mesmo tempo que percebe que os que andam ao seu redor podem estar do outro lado da lei. Um suspense de tirar o fôlego com uma reta final pulsante.


Na trama, conhecemos o detetive Tom Nichols (Benicio Del Toro), um brilhante agente da lei, casado com Judy (Alicia Silverstone), que é designado para um crime ocorrido em uma casa de luxo. Com inúmeros suspeitos ao seu redor, inclusive o namorado da vítima, o agente imobiliário Will (Justin Timberlake), Tom começa aos poucos a perceber que o assassinato em questão abre brechas para novas variáveis, fatores que o fazem começar a repensar sua relação com os amigos e a comunidade, situada em Boston, onde se sentia feliz após traumas no passado.


O roteiro busca sua base através de seu impactante e muito bem construído protagonista. Dono de poucas palavras e exímio observador, a construção de Tom é repleta de camadas, muitas delas ligadas a uma questão emocional não bem explicada mas que de alguma forma o levaram até aquele lugar, uma cidade onde parece viver a pacata vida feliz também em um relacionamento bastante amoroso com a esposa. Quando a investigação do assassinato que é designado o leva a uma série de descobertas é como se um castelo de cartas se evaporasse na sua frente. Corrupção, mentiras, ganância se jogam na tela, virando um gatilho para um lado seu adormecido que o coloca em uma linha tênue entre amizade e a justiça.


Ao longo de pouco mais de duas horas de projeção, a narrativa é composta por esse minucioso olhar, se joga no guiar da primeira pessoa, mas sem se esquecer de nos levar para paralelos que abrem brechas para reviravoltas nada óbvias entrando assim no abstrato recorte emocional. Será que a vida que ele leva é realmente feliz? Da corrupção ao ciúmes vamos vendo um outro lado de um personagem, com marcas, que precisa chegar ao final dessa estrada com escolhas a fazer. A todo instante nos perguntamos como o personagem vai reagir quando descobre as verdades dolorosas que encontra pelo caminho.


Camaleões é um projeto que esconde suas verdades e seu real ponto de reflexão. As surpresas são as cerejas do bolo desse excelente suspense com algumas reviravoltas imprevisíveis.



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