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Crítica do filme: 'Mussum, o Filmis'


A arte de fazer emocionar pelo riso. Um dos longas-metragens brasileiros mais aguardados de 2023, Mussum, o Filmis nos mostra grande parte da trajetória de um ícone do humor, uma personalidade de nossa cultura que brilhou intensamente nos palcos, na televisão e no cinema. Ao longo de quase duas horas de projeção, o projeto apresenta fatos conhecidos e alguns nem tão conhecidos de sua vida pessoal que marcaram para sempre sua trajetória.  Primeiro longa-metragem como diretor da carreira do excelente ator Silvio Guindane, Mussum, o Filmis se consolida como uma das mais brilhantes cinebiografias já realizadas no nosso país.


Na trama, conhecemos partes da trajetória de vida de Antônio Carlos Bernardes Gomes, apelidado de Mussum, desde os tempos da infância pobre, passando pela esperança de estabilidade no serviço militar, seu amor pelo samba e pela Mangueira que o levou a ser integrante de um grupo chamado Os Originais do Samba, e sem esquecer do momento onde brilhou, quando se viu humorista por acaso, primeiro na saudosa Escolinha do Professor Raimundo e chegando até o ápice quando fora chamado por Renato Aragão para ser um dos integrantes de um dos programas televisivos mais vistos da história, os Trapalhões. Seus dramas na vida pessoal também contornam o brilhante roteiro assinado por Paulo Cursino.


Uma história muito bem contada. Partindo da infância humilde, seus fortes laços com a mãe, o longa-metragem nos traça um raio-x completo da vida pessoal e profissional de Mussum. Os conflitos ao longo de sua trajetória giraram em torno das escolhas que tomou a partir do seu gosto pela música. Quando abandona o serviço militar para cair na estrada com o grupo Os Originais do Samba, na vida pessoal seu casamento afunda em desilusões além de trocar a estabilidade pela incerteza. Com uma riqueza de detalhes encaixado em um dinamismo contagiante, o filme prepara o terreno para seu clímax, quando Mussum chega ao universo da comédia, quase sem querer em uma cena com o maravilhoso Grande Othelo. Aqui, seu leque de opções se chocam, pois encontrou seu brilhantismo onde menos esperava, tendo que abrir mão de seu grande sonho de seguir na carreira musical.


Grande vencedor do Festival de Gramado desse ano, com seis kikitos, Mussum, o Filmis navega por uma narrativa que empolga o público em muitos momentos, dosando fortes dramas existenciais com cenas que marcaram gerações e gerações de fãs. É preciso elogiar também a atuação de Aílton Graça, que interpreta o protagonista já na fase adulta. Impressiona em muitos momentos.


Com lançamento previsto para o início de novembro, Mussum, o Filmis deve ser uma das grandes bilheterias do cinema brasileiro em 2023. E merecidamente. Você chora e ri através da trajetória de um homem que marcou pra sempre seu nome na história cultural brasileira.

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