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Crítica do filme: 'O Campeão'


Primeiro longa-metragem do cineasta italiano Franco Zeffirelli na principal indústria cinematográfica do planeta, O Campeão é a terceira e mais impactante versão de uma história que já esteve por Hollywood na década de 30 e na década de 50. Abordando o alcoolismo, a depressão, o abandono, as segundas chances, sob os pontos de vistas de um pai problemático e seu filho pequeno o projeto é também sobre corações partidos, sobre uma infância repleta de inconstâncias no que deveria ser um lar doce lar. Hollywood já produziu muitos filmes tristes, dolorosos de assistir, mas poucos são iguais a O Campeão.


Na trama, conhecemos Billy (Jon Voight), ex-boxeador, perto dos 40 anos, que despencou no auge da carreira, consumido pelos seus conflitos emocionais, dominado pelos vícios em jogos e bebida. Ele é pai do pequeno T.J (Ricky Schroder), um garoto super inteligente de oito anos que busca a atenção de seu pai e o ajuda em todos os momentos. Quando Annie (Faye Dunaway), a mãe do garoto, reaparece na vida dos dois, quase uma década sem entrar em contato, novos conflitos surgem em paralelo a uma nova oportunidade para Billy numa luta que poderá trazer seus dias de glórias de volta.


As diferentes formas de se amar alguém. Indicado ao Oscar na categoria Melhor Trilha sonora, o filme navega pela quebra de paradigmas quando pensamos em família, sobre a tão sonhada perfeição, colocando na mesa situações conflituosas, com personagens amargurados em busca de novos recomeços constantes. A narrativa se torna angustiante, com cenas fortes, dolorosas, mas que encosta na realidade de muitos lares. Um pai que é um péssimo exemplo mesmo nunca tendo-o abandonado, uma mãe que sumiu e depois de se estabelecer na carreira que tanto queria volta buscando o tempo perdido, um jovem carismático que mesmo com o mundo desabando não deixa de abrir um sorriso e acreditar em redenções do seu maior ídolo. Esses três personagens farão qualquer coração refletir sobre família.


O alcoolismo, a depressão e as segundas chances também são elementos marcantes no roteiro dessa versão que é baseada em grande parte na primeira versão, a original do ano de 1931, dirigido por King Vidor, na época com roteiro assinado por Wanda Tuchock e Don Marquis.   


Para quem quiser assistir, O Campeão tem para aluguel na Apple Tv.



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