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Crítica do filme: 'Mártires' (2008)


Uma visão extremamente pessimista do mundo. Um dos mais chocantes filmes das duas últimas décadas contorna as linhas inconsequentes da vingança e loucura mostrando a saga de duas jovens e suas descobertas após uma série de situações tensas que deixa o espectador em total estado de atenção. Escrito e dirigido pelo cineasta francês Pascal Laugier, Mártires aqui tem o sentido de sacrificado e o roteiro, escrito durante um período de grande depressão do próprio diretor, nos leva para descobertas aterrorizantes.


Na trama, conhecemos Lucie (Mylène Jampanoï) e Anna (Morjana Alaoui), duas jovens que se conheceram ainda criança quando a primeira delas sofria psicologicamente pelos abusos cometidos contra ela durante o período que fora sequestrada. Quando elas crescem, uma década e meia depois, resolvem ir atrás das pessoas que cometeram os abusos contra Lucie e acabam encontrando uma família que esconde um segredo ainda maior.


Nada é só o que parece, é pior. Conseguir a atenção do público durante toda a projeção é algo muito raro de se conseguir, Mártires consegue o feito. A narrativa tem o mérito de ampliar seu campo de tensão, batendo na tecla do medo, da angústia, da aflição, através de surpresas que estão no roteiro como o prolongamento de uma história que muitas vezes parece concluída. Os porquês de tudo que vemos seguem uma corrente niilista e os pessimismos em relação as interpretações da vida.


Dentro desse show de horrores, encontramos as reflexões para a loucura que aqui navega pelas várias camadas. A primeira delas nos chega através do trauma, do enxergar o que não existe, acoplado na culpa. Essa parte, que compõe um enorme arco inicial é visto sob duas óticas, uma ótima sacada do diretor. Depois, na grande virada da trama (não darei spoiler), dentro ainda do entendimento de loucura que o roteiro propõe, nas razões de tudo que assistimos, chegamos as explicações de importantes porquês que completam um quadro caótico de entendimento sobre o mundo.  


O subgênero do terror, o Gore, é visto por todos os lados. Incomoda, embrulha o estômago, são cenas que demoram a sair de nossas memórias. Pascal Laugier não economiza no seu chocar, tem sangue, mutilações pra tudo que é lado em ações desenfreadas. Inclusive as atrizes protagonistas afirmaram em uma entrevista que nunca mais iriam trabalhar com o diretor. Para vocês terem uma ideia, a intérprete de Anna, Morjana Alaoui, quebrou três ossos durante as filmagens. Realmente não deve ter sido fácil filmar essa história repleta de cenas fortes.


Perturbador. Não existe outra palavra melhor para definir essa produção. Mártires é um filme para assistir e nunca mais esquecer. Em 2016, um remake norte-americano foi lançado, dirigido pela dupla Kevin Goetz e Michael Goetz, mas nem chega aos pés do original.



 

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