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Crítica do filme: 'Saltburn'


O drible do sanguessuga. Escrito e dirigido pela ganhadora do Oscar Emerald Fennell, o projeto que vamos comentar agora usa do chocar para expor um recorte sobre a decadência da moral fruto de uma insana necessidade de um descontrole das emoções. Com duas indicações ao Globo De Ouro, com grandes chances de ter alguma indicação ao próximo Oscar, Saltburn muitas vezes é o que não parece, se jogando em uma narrativa com inteligentes trocas de perspectivas e com atuações fabulosas, principalmente do seu protagonista, o ótimo Barry Keoghan.


Na trama, conhecemos o recém chegado à faculdade de Oxford, o aparente solitário Oliver (Barry Keoghan), um jovem que parece sofrer com a vida que leva fora daquele lugar. Quando conhece Felix (Jacob Elordi), um jovem milionário também estudante de Oxford, Oliver se vê atraído pelo universo de Felix, de riqueza e poder. Até que um dia que Felix o convida para passar o verão na mansão da família, Saltburn, junto com sua família cheia de peculiaridades.


Um dos méritos de como a história é contada passa por conseguir não perder o clima de tensão mesmo misturando as peças dentro de uma troca de perspectiva constante revelando algumas verdades apenas no seu desfecho surpreendente e brilhante. Uma trilha pelo abstrato começa a se compor, tendo a mente humana como epicentro de reflexões. Os conflitos mais profundos chegam numa gangorra onde estão sempre posicionados o ódio e o amor, a paixão e a loucura. Será nos choques das emoções as verdades da real mente perturbada?


O longa-metragem que estreou no Festival de Cinema de Telluride insiste no seu discurso destacar algo como a pergunta: o que são os valores que regem uma sociedade? Para ajudar nessa resposta, o roteiro transforma Saltburn em mais um personagem e não apenas um cenário propriamente dito. Por esse lugar, um desfile da psiquê humana (ego, mente e espírito), onde vemos dissimulados, mimados, gananciosos, egoístas e sanguessugas apresentarem seus blefes e suas cartadas. Em reforço a isso, na tela tudo ganha cores envolventes e cada detalhe se torna importante, méritos de uma direção de arte impecável e um direção envolvente.


Se você estiver realmente querendo ver um filme que te deixe tenso, cause espanto, reflita sobre a mente humana, o desejo e ainda te deixe de queixo caído com seu final você tem que correr na Prime Video e assistir Saltburn.



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