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Crítica do filme: 'O Abismo'


O somatório de dramas movidos por uma catástrofe. Chegou recentemente no catálogo da Netflix um filme que tinha tudo para ser um show de mesmices, clichês amontoados, tendo como epicentro uma tragédia anunciada. Só que no longa-metragem sueco O Abismo um fator muito bem encaixado na sua trama acaba deixando tudo mais profundo prendendo a atenção do espectador nos 103 minutos de projeção. Dirigido pelo cineasta Richard Holm, o projeto consegue com muita eficiência na sua intensa narrativa alinhar conflitos familiares a uma tragédia.

Na trama, acompanhamos a história de Frigga (Tuva Novotny), uma mulher de atitude, mãe de dois, chefe de segurança de uma mina subterrânea Kiirunavaara, situada na cidade de Kiruna. Quando rachaduras enormes vão aparecendo pela cidade, Frigga embarca em uma jornada de sobrevivência tendo que lidar com o sumiço do filho Simon (Edvin Ryding), a recente chegada do novo namorado Dabir (Kardo Razzazi), o relacionamento conturbado com o ex Tage (Peter Franzén) e os embates com a filha Mika (Felicia Truedsson).

Uma cidade condenada onde fica uma mina de ferro, que praticamente é uma bomba relógio, onde o chão racha a cada metro explorado, é o ponto central de uma história que não se desprende da alcunha de ‘filme catástrofe’ mas trazendo elementos que ajudam a narrativa a encontrar caminhos. O liquidificador de falhas geológicas e os emaranhados das emoções familiares ditam o ritmo de um filme que tem drama, ação, suspense, dilemas, conseguindo altos picos de tensão.

A contextualização é muito bem feita. Cães fugindo, insetos se locomovendo, canos estourando, vamos entendendo os dramas dos moradores através da iminência de uma evacuação às pressas. As subtramas ajudam nesse ponto. Esse olhar para o todo nos faz entender melhor os dramas dos protagonistas além das escolhas difíceis que se seguem. Não há espaço para inconsequências, a sobrevivência toma conta da razão existencial numa narrativa pés no chão mas sem deixar de causar os incômodos que objetiva.



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