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Crítica do filme: 'A Menina Silenciosa'


Dois mundos e seus conflitos. Indicado para mais de quarenta prêmios internacionais, inclusive chegando até os cinco selecionados ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2023, o longa-metragem irlandês A Menina Silenciosa navega sua trama nas chegadas e partidas de uma jovem que vive situações inéditas na sua curta trajetória de vida ao ser enviada para a casa de parentes de sua mãe. Baseado na obra Foster, da escritora Claire Keegan, o filme, dirigido por Colm Bairéad, é um retrato delicado do início da adolescência e o começo de novos conflitos que se jogam na frente, como o entendimento do luto, da perda e o real sentido de família.

Na trama, conhecemos Cáit (Catherine Clinch), uma menina quieta que vive dias tensos com sua família disfuncional e distante em uma humilde casa. Durante o verão do ano de 1981, ela é enviada para a casa de Eibhlín (Carrie Crowley) e Seán (Andrew Bennett), parentes de sua mãe, um casal que perdeu o filho em uma tragédia. Chegando lá acaba descobrindo um novo sentido de lar, de relação familiar, e assim precisa lidar com novos acontecimentos que abrem o seu leque de percepções sobre a vida.

A esperança que chega e vai embora. A narrativa detalhista segue os passos de sua jovem protagonista, entre descobertas e decepções, vê seu mundo se multiplicar em esperança, renovando as verdades da palavra amor. Entre imagens e movimentos, ambientados em uma zona rural irlandesa no início da década de 80, a cultura local acaba sendo o primeiro ponto conflitante que a confronta sobre a certeza do que é certo ou errado. Com o passar do tempo, e entendendo mesmo de forma superficial a dor dos parentes que a abrigam nesse verão se enxerga em dilemas sobre os dois mundos que é apresentada.

As chegadas e partidas estão implícitas, num iminente ponto futuro. Até quando vai ser possível viver aquelas novas experiências? Será que algum dia seus pais biológicos a tratarão com o amor e carinho? Como vai ser quando o verão acabar? Seguindo em perguntas ao vento, implícitas nas ações e emoções dos personagens, A Menina Silenciosa é um recorte sobre as durezas da vida e os lapsos de esperança que surgem quando se menos espera.


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