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Crítica do filme: 'Grandes Hits'


E se você pudesse voltar no tempo para momentos chaves de seu relacionamento com um alguém que já se foi? Seguindo a lógica de Efeito Borboleta, só trocando as palavras pelas canções, o longa-metragem Grandes Hits apresenta suas reflexões sobre alguns campos da existência raspando a panela da melancolia através de viagens no tempo e batendo forte na tecla do luto. Escrito e dirigido pelo cineasta Ned Benson, a causa e o efeito por aqui se encaixam em uma narrativa que busca abordar temas complexos com maturidade mesmo esquecendo de ligar alguns pontos. Confuso? Um pouco, mas nada que atrapalhe a compreensão do que assistimos.

Na trama, conhecemos Harriet (Lucy Boynton), uma jovem que vive seu presente em constante sofrimento desde que perdeu seu namorado Max (David Corenswet) em um terrível acidente de trânsito anos atrás. Paralisando sua vida por completo, prolongando a dor e o luto, certo dia percebe que consegue viajar ao passado através de algumas músicas que escutou quando estava na presença de Max. Embarcando em uma jornada para tentar mudar o fato mais traumático de sua vida, um dia acaba conhecendo David (Justin H.Min) que a deixará confusa sobre tudo que havia pensando sobre sua maneira de viver.

O luto é um elemento que percorre a trajetória da protagonista. A culpa se junta, quando entendemos os conflitos emocionais que se estabelecem no seu presente e a necessidade de explicações para o que houve no passado. Amargura e as loucuras de inusitadas viagens no tempo através de canções são pontos paralisadores. A premissa corre pela mesma estrada do já conhecido filme Efeito Borboleta mas a narrativa escorrega ao se jogar numa melancolia presa em um labirinto com pouco desenvolvimento.

O conflito amoroso se prende novamente no acaso com a chegada de um novo amor para a protagonista. É como se o roteiro dissesse de forma redundante que o looping vivido é uma certeza e que se algo precisa de solução é no passado. A busca por uma canção que falta não se sustenta em hipótese nenhuma. Seguindo essa estrada, o longa-metragem se desencontra com as reflexões plantadas no seu corrido arco inicial.  

Grandes Hits é uma história sobre recomeços, camuflada de acasos do amor que escancara o luto através do inusitado, absorvendo a ideia de que com a música pode voltar para qualquer lugar. Pode ser que você goste, eu achei bem mais ou menos!


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