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Crítica do filme: 'Última Chamada para Istambul'


A vida como ela é. E não é que a Netflix nos surpreendeu com um filme nada badalado mas que pode conquistar corações?! Apostando numa narrativa que busca na leveza refletir sobre assuntos importantes sem deixar de avançar na profundidade, se afastando de qualquer razão convencional, Última Chamada para Istambul tem um discurso que logo acerta seu alvo. Com o auxílio das surpresas e as várias visões de uma história, abrindo camadas inesperadas que chegam na intensidade de assuntos que giram em torno de um relacionamento desgastado pelo tempo, o projeto aposta no arriscado mundo dos sentimentos e suas desilusões.

Na trama, conhecemos Mehmet (Kivanç Tatlitug) e Serin (Beren Saat), duas pessoas bem diferentes que se encontram no aeroporto de Nova Iorque e resolvem passar as próximas horas juntos após um imprevisto com a mala de um deles. Ambos casados, resolvem viver como se não houvesse amanhã. Só que uma verdade logo aparece, nos levando para novos olhares para essa mesma história.

O gostos, os desejos, se tornam elementos prontos para embates que se sustentam nos paralelos com a realidades de muitos casais. E não pensem que é fácil em se chegar a algo assim. Conforme vamos acompanhando as leis da atração entrarem em cena, é muito fácil se identificar com as dúvidas e aflições dos personagens. Kivanç Tatlitug e Beren Saat, em total harmonia, passam para o espectador um mix de emoções que vamos entendendo melhor quando as verdades são reveladas. Somos testemunhas de dois carismáticos personagens que nos fisgam exatamente pelo túnel da inconsequência em que estão sempre flertando.

A cereja do bolo chega por um plot twist convincente, algo que a narrativa amarra de forma brilhante, é um verdadeiro impacto a guinada que o roteiro se propõe. Passando pela melancolia, a culpa, o desistir, as frustrações se tornam novas variáveis em uma espécie de jogo de amor que encontra seu rumo através de um olhar para o passado. Tendo uma Nova Iorque dos tempos atuais como cenário, quase como um personagem estático, esse lugar de sonhos e aventuras se mostra como um achado para quem quer a autodescoberta, algo que se soma às reflexões propostas.

Dirigido por Gonenc Uyanik e escrito por Nuran Evren Sit, Última Chamada para Istambul está escondidinho no catálogo da Netflix e merece ser encontrado!


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