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Crítica do fime: 'Passagrana' [Bonito CineSur 2024]


A arte da mentira abraçando sonhos e a sobrevivência. Com pré-estreia nacional no Bonito CineSur 2024, o longa-metragem do ator, roteirista e diretor Ravel Cabral nos joga para um universo de conflitos sociais, através do olhar de alguns jovens que se viram com suas malandragens pelas ruas de São Paulo, onde os sonhos e a sobrevivência se chocam através de um cotidiano onde a ousadia vira uma marca. Honesto em sua proposta, um ‘heist movie’ adaptado para as realidades brasileiras, o roteiro deixa se levar nessa correnteza de possibilidades se tornando divertido e empolgante. Sem muitas derrapagens em clichês, o projeto atravessa os conflitos emocionais com o brilho dos carismáticos personagens.

Na trama, conhecemos Zoinhu (Wesley Guimarães), Linguinha (Juan Queiroz), Mãodelo (Elzio Vieira) e Alãodelom (Wenry Bueno), um grupo de amigos muito unidos que vivem de pequenos golpes pelas ruas da maior cidade brasileira. Após serem obrigados a pagar uma dívida com um policial corrupto (interpretado pelo excelente Caco Ciocler), aos trancos e barrancos, resolvem bolar um mirabolante plano para assaltar um banco. Durante esse processo, alguns deles passam por reflexões sobre sonhos e a própria vida.

Desde 2017 com uma prévia do roteiro já pronta, Ravel buscou reunir a partir de uma ideia todo um contexto adaptado para a realidade brasileira. Mesmo com uma primeira parte que pode soar um pouco confusa, o filme logo encontra seu norte. Nessa espécie de Onze Homens e um Segredo sem as cifras da ficção e realidade da obra hollywoodiana, percebemos um interessante uso da linguagem que conta com um apoio que se torna a cereja do bolo: uma trilha sonora que vira um elemento de destaque, fundamental para o dinamismo das ações que se sucedem no clímax.

Imersos na criminalidade, os quatro amigos se deparam com o ‘Furo da bolha’ onde se encontram. Essa jornada, que apresenta com simpatia esses anti-heróis mais no sentido de atos moralmente questionáveis, é nos levada até os sonhos, o primeiro amor, onde ganha destaque o personagem Zoinhu, a grande mente pensante por trás da tentativa de assalto a banco com ares cinematográficos.

Pegando gancho nessa última frase, dentro do conceito visto no discurso, imerso na arte da mentira e da malandragem, vemos o uso da metalinguagem aplicada de forma muito criativa que geram muitas cenas com a ironia em destaque. Além disso, o roteiro explora as desigualdades sociais de forma objetiva: as faltas de oportunidades, os sonhos distantes, até mesmo a polícia corrupta são jogados num liquidificador de dilemas.

Essa co-produção entre selos da The Walt Disney Company, que teve 25 diárias de gravações, estreia nos cinemas brasileiros no dia 19 de setembro e tempos depois na Disney Plus. Com um desfecho aberto, a probabilidade de uma segunda jornada dessa turma carismática é mais do que possível, é necessária!

 

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