Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Emma e as Cores da Vida'


As novas maneiras de enxergar a vida. Vamos falar agora de um longa-metragem italiano, que está escondido no catálogo da Prime Video, Emma e as Cores da Vida. Camuflado de filme romântico, o intenso drama e suas muitas possibilidades de leituras logo se tornam variáveis dentro de um contexto sobre responsabilidades, avançando no olhar de um protagonista cheio de traumas não resolvidos no seu passado que precisa lidar com a chegada do verdadeiro amor. Pode parecer um conto de fadas mas há a tentativa de trazer as reflexões ao mundo real. A acessibilidade, assunto muito importante, ganha espaço através de uma ótima personagem e sua rotina.

Na trama, conhecemos Téo (Adriano Giannini), um publicitário, sedutor, mulherengo, que vive sua vida amorosa sem compromissos com verdades e se relacionando com algumas mulheres ao mesmo tempo e com a mentira fazendo parte de seu cotidiano. Quando conhece a osteopata Emma (Valéria Golino), uma mulher cega que logo o atrai, Téo passará por reflexões sobre a própria vida e questões do seu passado que sempre foram lacunas sem respostas.

Dirigido por Silvio Soldini, o projeto apresenta a desconstrução de um machista, e seus novos olhares. Aqui pode haver um problema nas linhas interpretativas e o espectador segue por alguma das duas estradas, ou embarcamos nas reais mudanças através de um passado sutilmente apresentado ou ficamos presos nos achismos de uma fantasia. Intenso, profundo, reflexivo, a obra contorna as ações e consequências o que afasta qualquer tipo de pretensão.

A acessibilidade ganha os holofotes através de Emma e todo o contorno de sua deficiência visual. Suas batalhas do dia a dia entram em choque através de uma outra personagem, Nadia (Laura Adriani) uma jovem que não aceita sua condição, além das incertezas de um relacionamento com o complicado Téo. Há poesia para demonstrar os conflitos emocionais mas sem esquecer as verdades mundanas. Um dos méritos de Emma e as Cores da Vida é seguir na linha ‘pés no chão’ para tratar sobre o assunto.  

Dando sentido à um flerte com a melancolia, a narrativa se desenvolve de forma dinâmica. Valéria Golino, em grande atuação, é um dos pontos altos do longa-metragem que reproduz crises existenciais, algumas ligadas à falta de compromisso, que se coloca à disposição como oportunidade de mudanças.


Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...