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Crítica do filme: 'Lá Fora'


Destrinchando o desespero através de uma história que envolve uma distopia repleta de zumbis que correm e um desenrolar sombrio de um casamento por um fio, Lá Fora, lançamento filipino da Netflix que logo alcançou o Top 10, é uma obra tensa, violenta, que alcança seu primor no suspense psicológico. Seguindo a frase: 'não há beleza no caos', nos aproximamos de uma história dura, um soco no estômago que explora o estado de sobrevivência. O projeto é escrito e dirigido pelo cineasta Carlos Ledesma.

Na trama conhecemos o casal Francis (Sid Lucero) e Iris (Beauty Gonzalez), que junto dos dois filhos, encontram abrigo na casa da família do primeiro após o mundo ser dominado por zumbis. Um fato importante é que essas duas almas estão com o casamento por um fio e situações de um passado recente começam a aflorar nesse presente de caos e incertezas. A partir de inconsequências a história toma um rumo imprevisível.

Com suas mais de duas horas de projeção, o filme se prolonga mas não chega a ser repetitivo, encontra algumas formas de concluir subtramas familiares que fazem parte do alicerce dos conflitos dos personagens. Com uma narrativa detalhista, onde a obsessão, os traumas, a opressão, os deslizes da psiquê, são características jogadas pelo caminho, logo nos deparamos com a verdadeira prisão que começa a se revelar. Esse último ponto, se aproxima de temas atuais como a violência doméstica.

De suspense em poucos passos encontra o terror através também dos gatilhos emocionais. Tentando elucidar os pesadelos nas memórias, o roteiro logo se mostra em paralelos a um presente real e opressor. O carro quebrado, o mundo destruído, tornam-se espelhos de um relacionamento na iminência do fim. Percebemos a todo instante um cuidado para a imagens (referências) conversarem com os conflitos emocionais dos personagens. Aqui chegamos na quebra do psicológico, por meio do descontrole, o trauma não trabalhado.

Somando-se ao exposto no parágrafo anterior, em um lugar onde parece que todos os dias são noites, percebemos o declínio do consciente, amargurado pelo choque de desequilíbrios. Indo até camadas profundas, percebemos a proximidade - quase necessidade - de uma aproximação do que acontece na realidade.  Tudo é bem conduzido pela direção primorosa de Ledesma. Esse é um dos mais interessantes filmes lançados nesse segundo semestre de 2024 na Netflix.

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