Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Sem Pudor' [Festival do Rio 2024]


Um amor sem direção que leva duas almas aos limites. Buscando um forte recorte sobre um amor proibido entre uma mulher amargurada e uma jovem que embarca na descoberta da sexualidade, Sem Pudor navega pelas estruturas emocionais de conflitos que se seguem entre as diferentes dores e vícios. O roteiro busca em seu discurso um olhar para a ruptura do sonho pelas escolhas da realidade em um ambiente hostil, preconceituoso, machista, chegando também ao contorno sobre tradições, laços familiares próximos da ruptura e o lado cultural de uma região da Índia. O grande destaque vai para a atuação de Anasuya Sengupta, vencedora do Prêmio de Melhor Atuação na Mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes desse ano.


Na trama, conhecemos Renuka (Anasuya Sengupta), uma prostituta com um passado doloroso que após assassinar um comissário da polícia precisa fugir do lugar onde vive e acaba indo para o norte da Índia onde acaba conhecendo uma jovem chamada Devika (Omara). Logo, de uma improvável amizade, a relação se aproxima para um amor intenso que para se manter precisará ultrapassar várias barreiras que se acumulam num frequente enfrentamento de tudo e todos.


Escrito e dirigido pelo cineasta búlgaro Konstantin Bojanov, esse longa-metragem nos leva numa gangorra de emoções – com uma alta carga de tensão – onde os sopros da felicidade e também do caos se misturam nas inconsequências. As intrigantes protagonistas, duas mulheres completamente diferentes, buscam uma felicidade que nunca viveram, traçam planos que se mostram cada vez mais distantes. As dores, os vícios, a opressão se tornam capítulos de uma história de rupturas onde se caracteriza uma relação destrutiva mas também de descobertas.


Esse confronto com a própria rotina, apresentando ao longo da relação que se estabelece, é apresentado por Bojanov através de cenários que conversam com o estado emocional das personagens. Do caos familiar e da intolerância marcante de muitos de uma região, esses paralelos com as sensações são eficientes quebrando o clima de amargura e fazendo a ponte com a tensão. Ao longo das duas horas de projeção, cenas fortes de violência buscam uma rápida conexão com as reflexões que se apresentam pelo caminho.


Sem Pudor não é um filme fácil. É preciso de paciência para entender e buscar reflexões sobre o labirinto que se encontram duas almas que vivem intensamente o mais forte dos sentimentos marcadas por espinhos vindos da realidade dura que vivem. 

 

 

Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...