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Crítica do filme: 'A Vida Secreta de meus Três Homens' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2025]


O lembrar, o esquecer, o entender. Em uma interessante abordagem que reúne o concreto de reflexões com a transmissão de lições de moral através das histórias de três personagens que de alguma forma ajudam a criar retratos de um país cheio de perguntas sobre seus caminhos e destinos, A Vida Secreta de meus Três Homens é um filme que explora a originalidade em sua essência.

Selecionado para a Mostra Olhos Livres, da 28ª edição da Mostra de Tiradentes, o longa-metragem com cerca de 70 minutos, repleto de achados visuais, joga na tela perguntas sobre o lembrar e o esquecer além das conexões entre o passado e o presente. Com roteiro e direção de Letícia Simões, a obra passa muito pela história da sua própria família com contextos e a consciência invadindo o trânsito entre mundos, os contrapontos até um fabular a partir da violência.  

Construindo revelações através de um jogo de cena, conhecemos versões de fatos de três fantasmas que envolvem a violência, a sexualidade, a política. O próprio processo criativo do filme ganha forma como se as cortinas caíssem e nos mostrassem cada canto de uma busca por verdades. O rumo até descobertas de verdades não ditas cria um novo universo que vai de uma desconstrução da admiração e o medo passando pela discussão da realidade.

Simples e criativo, esse é um filme corajoso que se arrisca numa transmissão de lição de moral. O roteiro audacioso, fora da caixa, costurado com uma narrativa que dribla o convencional, explora o infinito da linguagem e o sons. Tudo que vemos em tela faz muito sentido, se complementam, fazendo as reflexões pularem a todo instante.

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