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Pausa para uma série: 'Paradise'


Com uma forma criativa e concisa de apresentar sentimentos e dilemas em torno do fim do mundo – e também no declínio das relações sociais - chegou nesse início de 2025 na Disney Plus o surpreendente seriado Paradise. Criado pelo excelente roteirista Dan Fogelman, que já tinha deixado sua marca com a aclamada This is Us, esse seu novo projeto atrai o público com reviravoltas, mistérios e camadas que se abrem aos montes nos levando para uma jornada empolgante através de personagens enigmáticos.

Tudo ia bem numa comunidade perfeita de algumas milhares de pessoas até que um dia o presidente Cal (James Marsden) é brutalmente assinado no seu quarto. Logo, Xavier (Sterling K. Brown), o responsável chefe por sua segurança, começa a juntar as peças desse quebra-cabeça que nos leva até a exposição de fatos surpreendentes que vão de encontro aos interesses de Sinatra (Julianne Nicholson) uma influente nas relações políticas. Se você acha que a trama se prende a isso, não ande por esse caminho. Ao final do primeiro episódio entendemos um pouco do que é aquele lugar.

Trazer o fim do mundo e os dilemas que surgem a partir de decisões no calor do momento amplia os horizontes dessa obra-prima de oito episódios que trazem surpresas atrás de surpresas. Impressiona como são bem desenvolvidos os personagens – os principais e os coadjuvantes – fato fundamental para entendermos ações que se completam com um contexto que se mostra bem mais amplo que a premissa.

Indo mais a fundo, precisamos falar também de algumas atuações. O trio protagonista formado por James Marsden, Sterling K. Brown, Julianne Nicholson é impressionante, dominam nossos olhares. Muitas vezes taxados como heróis ou vilões alguns personagens tem um brilho que ultrapassa essa corrente simplista, esses três personagens se encaixam nesse ponto. Merecem estar na próxima temporada de premiações.

Do drama ao suspense tendo as verdades nas entrelinhas, as etapas da jornada do herói são complexas com o passado interligando o presente. Para isso o recurso narrativo de flashbacks se tornam uma mola propulsora e certeira. Com essa estrutura sólida, chegamos nos emaranhados dos campos políticos, nas relações familiares, nos traumas e consequências e nos deslizes da moral.

A fórmula encontrada por Fogelman encontra horizontes, caminhos que se cruzam, com as ótimas Fallout e Silo, mas tem sua própria identidade, segue por outros caminhos que elevam a qualidade do projeto. Um destacado mérito é conseguir amarrar as pontas soltas até seu season finale sem deixar de plantar dúvidas sobre o que virá pela frente. Alguns dos episódios, principalmente o penúltimo que se torna um enorme divisor de águas, podem pintar em listas futuras de melhores capítulos de uma série nos últimos anos.

Com a segunda temporada já garantida nos resta aguardar os novos desenrolares dessa que é até agora a melhor série do ano.


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