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Pausa para uma série: 'Alvo Primário'


Intrigas no mundo da espionagem é algo de certa forma bastante corriqueiro quando pensamos em filmes e séries. Trazer algo novo e que chame a atenção dentro desse contexto não é uma missão fácil. Lançado nesse início de 2025 no ótimo streaming Apple TV+, Alvo Primário segue a cartilha dessas produções trazendo em sua primeira temporada um recheio considerável de clichês que se amontoam em oito episódios que flertam com o previsível. Criada por Steve Thompson, podemos bater o martelo de que essa é umas das grandes decepções do ano até aqui.

Edward Brooks (Leo Woodall) é um jovem matemático, orgulho do corpo docente da prestigiada Universidade de Cambridge, que está produzindo uma pesquisa para seu doutorado numa análise profunda e bastante complexa sobre teorias no padrão dos números primos. Quando seu trabalho é apresentado a um dos professores mais prestigiados da universidade, uma série de situações o colocam de frente para o perigo. Para ajudá-lo em busca de respostas, entra em sua vida a analista da NSA, Taylah Sanders (Quintessa Swindell).

Quando o foco é criar o terreno para eventuais reviravoltas, a qualquer custo, geralmente não sai conforme o pensado. Em sua tentativa de criar camadas para seu nada carismático protagonista, o roteiro esbarra na ingenuidade da superfície, não tirando o pé do acelerador em nenhum momento. O quebra-cabeça emocional que vive o personagem acaba sendo pouco explorado por uma narrativa se construindo de forma atabalhoada com subtramas desinteressantes que forçadamente ganham elos com a trama principal.

O matematiquês aqui fica em segundo plano, então calma você que odeia matemática! Os dramas pessoais buscam um respiro mas acabam confundindo mais do que adicionando. As relações interpessoais que se apresentam são cheias de lacunas, parece um abre alas para futuros desenrolares (algumas produções seriadas cismam em pensar numa segunda temporada), um deslize que transformam os cerca de 60 minutos por episódio em uma sequência de achismos por parte do público.

Na sua busca por conexões interessantes ao apresentar personificações (leia-se as já mencionadas relações interpessoais) em forma de paralelos para brincar de ficção com teorias que circulam sobre os mistérios ainda indecifráveis de números naturais que possuem somente dois divisores: 1 e eles mesmos, Alvo Primário e seu aulão de espionagem deixariam Pitágoras com uma enorme preguiça.


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