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Crítica do filme: 'O Mapa que me Leva até Você'


Com seus quase 80 anos de idade – muitos deles dedicados à sétima arte e marcado com três indicações ao Oscar – o cineasta sueco Lasse Hallström já nos proporcionou emoções diversas: de excelentes filmes a outros um tanto sonolentos. Diretor de Sempre ao seu Lado, Regras da Vida, Chegadas e Partidas e Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, o experiente artista lança agora seu novo trabalho direto no Prime Video: O Mapa que me Leva até Você. E olha... que decepção!

Com uma trama que se desenrola dentro da já conhecida ‘receita de bolo’ das histórias de amor – superficiais e apressadas – o filme caminha a passos largos para uma espécie de sessão de autoajuda. Baseado no livro do professor de inglês e escritor Joseph Monninger – falecido no primeiro dia de 2025 –, o projeto tenta se impor, em seu discurso, a ideia de ‘viver o presente’. Essa proposta, no entanto, acaba refletindo na narrativa como uma corrida desenfreada em busca de qualquer emoção imediata, sem muitas referências à exploração da  variável tempo.

Heather (Madelyn Cline) é uma jovem organizada e dedicada rumando para um futuro de sucesso na profissão que escolheu. Antes de entrar com toda força no mercado de trabalho, resolve fazer um mochilão pela Europa com as amigas Connie (Sofia Wylie) e Amy (Madison Thompson).  Em terras estrangeiras, acaba conhecendo o desbravador de emoções e aventuras Jack (KJ Apa). Logo, uma atração mútua chega com impacto. Esses dois apaixonados resolvem esticar a viagem, indo atrás dos lugares mencionados no diário deixado pelo avô de Jack. Em certo momento, percebemos que Jack esconde um segredo que colocará um ponto de interrogação no futuro dessa história.

Em muitos momentos, parece que estamos assistindo a um filme que já vimos. Esquisito, né? Nem tanto: a mesmice vem agarradinha à inúmeras produções lançadas todos os anos. Essa sensação estranha nasce do ‘mais do mesmo’, daquela receita de bolo que se joga em clichês, caminha para a previsibilidade e não expande pontos reflexivos. É sempre frustrante se deparar com uma obra que, no universo literário, tem fôlego, mas que no cinema se mostra completamente limitada pela falta de habilidade em encontrar soluções criativas na tela. 

É uma pena que falte emoção. O filme não alcança seu clímax em nenhum momento. O primeiro grande amor – um dos fortes elementos que se apresentam - é retratado de forma fria, em contraste com a protagonista, definida como cética. De romance com ar filosófico, o filme vira uma vitrine de pontos turísticos europeus, um caminho que se mostra decepcionante. Apenas simpático - muito graças à leve, mas eficiente, sintonia entre os dois personagens principais, O Mapa que me Leva até Você entrega uma história de amor cinematográfica igual a tantas outras, daquelas que esquecemos rapidamente.

 

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