Quando chegamos ao final de um curta-metragem e ele deixa aquele gostinho de quero mais, é porque um bom trabalho foi feito. Exatamente isso que acontece em um projeto carioca que chamou a atenção nos primeiros dias da 12a Mostra de Cinema de Gostoso. Um projeto simples em sua forma que encontra camadas, uma espécie de parábola repleta de simbolismos – do moral ao existencial - que se encaixa como uma luva em muitas histórias familiares por aí.
Imagina a situação: uma família se reúne para o amigo oculto
natalino, e os conflitos logo afloram quando um pai presenteia o filho com uma
arma de brinquedo. Dentro desse cenário, se desenvolve uma história que expõe
embates e questões guardadas - mas nunca esquecidas - até a necessidade de reencontrar
o amor em meio à decepção.
Indo direto ao ponto, com uma contextualização importante construída
pelas entrelinhas e buscando, através das dinâmicas familiares, um olhar
bastante profundo sobre nossa sociedade, Presépio
utiliza a relação conturbada de pai e filho para gerar reflexões importantes - inclusive
sobre o choque entre gerações.
Impressionante a qualidade desse roteiro, que se une a uma narrativa
ágil e cheia de tensão que não perde nossos olhos em nenhum instante. Nos
detalhes, também encontramos complementos às ações dos personagens - aspecto
que enriquece a obra, que, mesmo com seu contexto de relações desgastadas pelo
tempo e os diferentes caminhos no modo de pensar, consegue acender uma luz de
esperança.
