Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Um Natal Ex-pecial'


Foi aberta a temporada de filmes natalinos! Dezembro chegando e mais um ano ficando para trás, os streamings recebem a chegada de novos títulos que vão nos fazer refletir sobre esperança e reconciliações - tendo a força sentimental do período de união que acompanha o Natal. Alguns projetos, tendo esse elemento central, acabam se parecendo bastante, geralmente transitando entre a comédia, romance e o drama. E um deles, que acabou de chegar à líder dos streamings, não foge muito disso.

A Netflix largou na frente e já colocou em seu catálogo o longa-metragem Um Natal Ex-pecial, protagonizado por Alicia Silverstone. A produção busca refletir sobre o sentido de família de forma cômica, sem se distanciar de exageros e clichês, mas toca num ponto que é bem desenvolvido durante toda a narrativa: a sustentabilidade. A partir de uma carismática protagonista, vamos percorrendo os dilemas, dores de amor, sentimentos e leves conflitos em algumas situações que não se distanciam muito da realidade - definindo essa obra como um filme caricato pé no chão.

Kate (Alicia Silverstone) é uma mulher criativa que abriu mão das oportunidades na carreira de arquiteta para se casar com o médico Everett (Oliver Hudson) e se mudar para uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos. O tempo passou, o casal teve dois filhos, que já cresceram, e agora Kate se encontra de frente com um iminente divórcio. Nunca se distanciando do desejo de ir atrás do seus sonhos profissionais, durante o natal, situações a farão refletir sobre sua família e seu casamento.

Mesmo sendo um filme de excessos, com algumas bobeiras que tentam ser atrativas (mas não são), a obra encontra um norte através de um bom desenvolvimento de sua protagonista e seu espírito pró-sustentável – uma postura que deixa ótimas mensagens. A produção foge de conflitos mais profundos, sua construção é em cima do olhar dela para todo aquele período: passando pelas surpresas do novo romance do provável futuro ex-marido (daí a brincadeira com o título), à relação próxima com os filhos – dentro de um sentido de nostalgia e pelos conflitos emocionais gerados pelas escolhas que fez até aquele presente. 

Misturando as situações cômicas com o espírito natalino – englobando um grande mix de sentimentos que essa data desperta – Um Natal Ex-pecial é o famoso filme água com açúcar: um passatempo agradável, um pouco longe de ser especial.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...