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Crítica do filme: 'Fuga Fatal'


É sempre bom acharmos alguma obra que busca, no sombrio dos atos inconsequentes, reflexões sobre relações próximas marcadas pela falta de oportunidades. Em Fuga Fatal, novo filme disponível no Prime Video, dirigido por Nick Rowland, nos deparamos com uma história cruel em muitos sentidos: um reencontro forçado entre pai e filha, ambos marcados como alvos por uma organização movida à ideologias de intolerância e preconceito. Ao romper camadas através de um estremecido vínculo, a narrativa nos convida para um caminho de tensões e de um amadurecimento precoce.

Nesse forte drama, com altas doses de ação e violência, conhecemos Nathan (Taron Egerton), que, por conta de suas escolhas erradas, passou longos anos na prisão. Quando consegue sair, é perseguido por uma gangue da qual se tornou inimigo durante o encarceramento e logo percebe que sua família também virou alvo. Com a ex-mulher assassinada, ele corre para proteger Polly (Ana Sophia Heger), sua filha, com que teve pouco contato até então. Juntos, os dois embarcam em uma jornada para fugir dos criminosos, enquanto tentam se reaproximar.

Baseado no livro She Rides Shotgun, do autor norte-americano Jordan Harper, o filme lança uma lupa na relação pai e filha sem cair em muitos clichês, apresentando de forma visceral as consequências de escolhas. A construção narrativa é moldada por cenas de alto impacto, que detalham a frieza e remete à julgamentos desconfortáveis, nos quais a ambiguidade moral é despejada na tela através de mais de um personagem. Vamos caminhando até o desfecho com a certeza de que muitas reflexões serão acessadas mesmo após o fim.

E há espaço para uma leitura sobre o amor? Como transmitir o forte vínculo familiar presente em meio um mar de sangue e inconsequências? É em pequenas cenas que o filme constrói seus grandes momentos, tendo a perda da inocência como alicerce. Com as verdades ficando cada vez mais inevitáveis e a necessidade de sobreviver ultrapassando a ingenuidade da idade, a jovem tímida - muito bem interpretada por Ana Sophia Heger - logo vira uma sobrevivente, adaptando-se a uma situação alarmante: aprender a lidar com as consequências das ações provocadas pelo pai.

E esse pai, interpretado pelo competente Taron Egerton, entra em sua jornada de redenção bastante consciente do que provocou àqueles que deveria proteger. O desenvolvimento desse personagem chama bastante a atenção ao colocá-lo em uma condição narrativa fácil de se captar: a de um vilão agindo como herói, em uma complexidade moral que expõe ao público constantes questionamentos sobre suas atitudes.

Fuga Fatal se apresenta mais complexo que parecia. Consegue prender a atenção ao acompanhar de perto personagens intrigantes que avançam para um mar de desconforto e amadurecimento, chegando nos limites frágeis do eticamente questionável e do que é justo ou injusto.

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