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Crítica do filme: 'Olho por Olho'


Se jogando em uma provável interpretação sombria de uma figura mítica do folclore europeu, o longa-metragem de terror Olho por Olho – que estreou recentemente na HBO MAX - aposta suas fichas nas crendices populares, trazendo o sobrenatural sob os holofotes colocados em gerações de uma família que sofrem a consequência da culpa. Pena que inconsistências no roteiro nos levam para uma jornada sonolenta e irregular.

Dirigido por Colin Tilley, essa é uma obra vai se construindo aos poucos, em um início sugerindo mais que mostrando. Esse ritmo cadenciado na composição da narrativa estabiliza a atmosfera de tensão – algo que pode ser uma faca de dois gumes -, ao criar sensações de incertezas através de recursos da linguagem visual que vão materializando algo que não podemos enxergar, em um primeiro momento.

A jovem Anna (Whitney Peak) vai morar com a avó cega (S. Epatha Merkerson), no interior, após uma tragédia atingir sua família. Sem ter muito o que fazer em um primeiro momento, resolve conhecer melhor a região. Em uma das caminhadas, conhece dois jovens arruaceiros, Julie (Laken Giles) e Shawn (Finn Bennett). Quando esses novos amigos tomam uma atitude absurda contra um garoto e Anna não faz nada para ajudar, acaba sendo amaldiçoada. Aos poucos, ela vai descobrindo também segredos sombrios da própria família.

Todo rodado na cidade de Savannah, no estado da Geórgia, o projeto parece querer impor uma série de lições de moral por meio do universo fantástico. Assim, atravessa a culpa e suas consequências, reunindo no centro das atenções uma dinâmica familiar marcada pelo distanciamento, com histórias que se separam entre gerações, encontrando-se no frágil elo com o eixo central da trama.

Esta não deixa de ser uma narrativa básica guiada pelo medo. Não há nada muito diferente em relação à linguagem em comparação a outros projetos do gênero. Os elementos de tensão são distribuídos através de situações aterrorizantes que se chocam com lendas urbanas – algo já visto muito por aí. Árvore misteriosa, a alma em forma de figura fantasmagórica que só pensa em vingança, figuras familiares ambíguas e jovens sem noção, tentam ser elementos importantes dentro de uma história que, em muitos momentos, se perde em seu discurso.

 

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