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Critica do filme: 'Hierarquia do Crime'


Percorrendo alguns dias que antecedem um grande assalto milionário que logo de cara – de forma rápida e objetiva até demais - nos apresenta seus personagens, o novo longa-metragem de ação que chegou na Netflix, Hierarquia do Crime, coloca em um tabuleiro explosivo forças policiais, mafiosos russos e dois amigos que insistem em seguir no caminho do crime. Há clichês, uma certa previsibilidade e personagens com lacunas importantes não preenchidas, mas convence na maior parte de sua trama ao apresentar a ação com pitadas generosas de conflitos morais.

Buscando circular a ganância como ponto alto de um discurso inflamável, ligando dilemas a questões sociais de uma região atingida desde sempre pela violência, o projeto dirigido por Russell K Reed e com roteiro assinado por Chiderah Uzowulu – que também é um dos protagonistas do filme – transforma o conflito de valores morais em um desenrolar na qual as consequências alcançam os responsáveis pelas próprias escolhas.

Stone (Chiderah Uzowulu) e Reach (Xavier Alvarado) são dois amigos criados como irmãos em um lar adotivo. Um deles é engenheiro; o outro, contador. Isso em uma parte do tempo. No restante, elaboram planos mirabolantes para conseguir grana. Às vésperas do maior roubo de suas vidas, outro integrante do lar em que viviam – que assumiu a culpa de uma ação executada com insucesso no passado – deixa a prisão, provocando uma série de situações que vão atrapalhar o plano da dupla de protagonistas.  

Há algumas questões que ajudam a narrativa a criar um certo clima de tensão – não rompe camadas, mas pelo menos não se joga à ação sem propósito. Uma delas é uma adição a zona cinzenta da moral que se apresenta. Um narrador-personagem busca amplitude nesse alcance emocional, introduzindo a série de conflitos que se amontoam no destino dos personagens. Aos poucos, vai se revelando sentimentos conflitantes que funcionam como um mea culpa na ambiguidade que acompanha os personagens de caráter moralmente ambivalente.

O roteiro é corrido em seu primeiro ato, o público demora a se situar completamente sobre o que é essa história. Quando entendemos questões em torno dessa corrida ao clímax, arcos paralelos surgem à espera de um desenvolvimento que pouco acontece. Os personagens não ficam à margem dos acontecimentos, mas alguns permanecem acomodados no campo sugestivo.  

A maior frustração de quem assiste ao projeto é um surpreendente desfecho e totalmente aberto, com inúmeras pontas soltas. Esse fato, deixa margem para uma continuação, mas não resolve importantes situações que se destacam. Essa ação corajosa pode ser uma aposta em futuros filmes, mas frustra mais do que causa impacto.  

 

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