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Crítica do filme: 'Irmãos de Orfanato'


Inserir reflexões sobre uma dinâmica familiar nada tradicional, marcada por mágoas do passado, é um dos objetivos do filme francês Irmãos de Orfanato. A questão é que o foco total na ação acaba deixando as camadas dramáticas em segundo plano, sacrificando o desenvolvimento dos personagens. A narrativa insiste em seguir em uma reta de lutas, explosões e heróis tentando salvar o dia. Muito pouco para convencer - ou mesmo prender – a nossa atenção.

Gab (Alban Lenoir) e Driss (Dali Benssalah) são dois homens que seguiram rumos diferentes na vida. Criados na infância como irmãos em um orfanato, após tragédias marcarem o início de suas trajetórias, eles retornam ao lugar após um acidente fatal com uma amiga – amor de ambos no passado - deixar órfã a jovem Leila (Sonia Faidi). Com a possibilidade de um deles ser o pai da garota e de recentes descobertas sobre o acidente, eles precisam fazer de tudo para protegê-la.   

Marcando o segundo filme solo como diretor, do conhecido coordenador de dublês Olivier Schneider – com trabalhos marcantes em 007 - Sem Tempo para Morrer e outras produções do gênero – o projeto parece uma vitrine de habilidades em cenas acrobáticas, alta carga de tensão na ação e com aquela sensação frequente de risco. Essa é parte que funciona na narrativa: essas cenas explosivas são muito bem executadas. Pena que só isso não basta.

Passando como uma flecha em dilemas morais e nas relações interpessoais, a obra busca flertar com questões familiares, se atropelando em ações convenientes. Os heróis e os vilões entram no modelo de definição clássica – aquele arquétipo já conhecido -, se distanciando de qualquer possibilidade ambígua e deixando o recorte estático no comodismo de um roteiro que não se arrisca em nenhum momento.  

O ponto-chave para a derrocada - e que pode ser uma das explicações da narrativa não romper camadas – é que poucas vezes vemos vilões tão mal utilizados dentro de uma trama. As motivações não são exploradas, mesmo com uma deixa importante na relação mãe e filho. Personagens são deixados de lado e aparecendo somente para ‘grandes aparições’ que não extrai um pingo de emoção, caindo na mesmice de um lugar-comum, sem impacto evidente na narrativa.

Irmãos de Orfanato logo na semana de estreia na Netflix chegou ao top 10 da plataforma. Esse gênero, a ação, sempre desperta o interesse do público, mas isso não quer dizer que tramas sólidas e interessantes são garantias.  

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