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Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]


Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade.

Com roteiro e direção de Rafael Saar, a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes.

De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso ao longo dos anos 1970 - vai contando a sua própria história que atravessou gerações na Música Popular Brasileira. Com uma personalidade que causa impacto em segundos, a artista de 73 anos tem sua trajetória marcada pela espiritualidade e pela subjetividade. Um mérito do projeto é tentar jogar luz nesse campo abstrato, estabelecendo caminhos e diálogos com o universo psicodélico.

Nesse livro aberto de memórias, desabafos e confissões, vamos conhecendo melhor essa artista que nunca chegou ao anonimato, intercalando sua vida pessoal com a profissional. No entanto, a escolha do modelo narrativo faz com que a obra se resuma a uma nota só. Ao longo de quase duas décadas realizando pouco a pouco esse trabalho, Saar reuniu um arquivo poderoso e potente, que busca ser um grande complemento para tudo que é dito, mas por vezes naufraga na falta de bifurcações críticas - possíveis contrapontos que poderiam enriquecer a obra.

Mesmo irregular, o documentário apresenta qualidades. Uma delas é que é feito para todos: tanto para fãs quanto para quem não conhece esse ícone da MPB. Não é nenhum absurdo pensar que, após a sessão, muitas pessoas vão se interessar em ouvir as dezenas de canções que marcaram a vida dessa artista inigualável.

Apocalipse Segundo Baby joga todas suas cartas na tradução de uma personalidade indecifrável e acaba acertando na eterna busca de uma artista sempre em busca de se encontrar.

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