Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Caminhos do Crime'


Apresentando algumas perspectivas e adotando um olhar mais profundo e apurado para um protagonista no lado errado da lei, o longa-metragem Caminhos do Crime caminha lentamente rumo a um retrato nu e cru da violência e as formas pelas quais se chega até ela.

Dirigido pelo cineasta britânico Bart Layton (do ótimo American Animals) e baseado no conto Crime 101, presente no livro A Queda, do nova iorquino Don Winslow, este não é um projeto marcado pela ação. Busca, em poucas camadas que se abrem, um equilíbrio com os conflitos emocionais dos personagens - algo que deixa a narrativa cadenciada e com percepções críticas.     

Em um presente onde a polícia está pressionada com a onda de crimes por toda Los Angeles, um introspectivo ladrão de joias (Chris Hemsworth), está em um momento de rever sua vida e sua profissão. Sem nenhum tipo de violência nos seus trabalhos passados, consegue ser um dos melhores do ramo. Quando um roubo milionário surge como a oportunidade de fugir e não voltar mais para essa vida, seu destino se cruza com um experiente policial (Mark Ruffalo) e com uma corretora de seguros (Halle Berry).

Nos primeiros atos, a trama parece não sair muito do lugar, talvez pela necessidade do roteiro em ampliar o desenvolvimento de seu protagonista e alcançar um contexto que se mostra muito amplo – e, muitas vezes, não objetivo. Ainda assim, a paciência é sempre uma companhia para todas as pessoas cinéfilas – e, aqui, ela se mostra necessária.

Quando as peças começam a se encontrar, o tabuleiro de ação dosada logo vira uma série de situações onde o lado emocional se mostra presente na narrativa, levando as inconsequências até o estado moral crítico, sendo colocados na vitrine dos acontecimentos. Essa forma de contar a história, com um fluxo de informações mais controlado, cadencia o ritmo, e a trama ganha fôlego para apresentar seu desfecho controverso.

Caminhos do Crime, que chegou recentemente ao catálogo do Prime Video, não chega a ressignificar o gênero ação - longe disso. Mas, tem seus méritos. A começar pela coragem de Layton em subverter expectativas, trazendo um olhar mais profundo para personagens em um gênero cinematográfico que se consolidou pelo ritmo acelerado e tensão. Sempre bom encontrar novas perspectivas sobre como contar uma história, isso fortalece as reflexões.  

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...