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Crítica do filme: 'Todas as Canções Falam de Mim'

Quanto mais vasto o tempo que deixamos para trás, mais irresistível são os pensamentos que nos convidam ao retorno. Passando pelo Brasil como um foguete, no já distante ano de 2010, o maravilhoso filme Todas as Canções Falam de Mim dirigido pelo espanhol Jonás Trueba, é uma jornada amistosa que fala sobre a palavra que não existe tradução em muitos outros idiomas, a saudade. A química que os atores Oriol Vila e Bárbara Lennie provocam em cena pode ser comparada com a que Julie Delpy e Ethan Hawke conseguem na trilogia amorosa de Richard Linklater. Ramiro (Oriol Vila) e Andrea (Bárbara Lennie), como todo casal comum viveram seus momentos intensamente, durante seis anos. Quando resolveram se separar, houve um trauma e uma dor muito grande por parte do primeiro. O filme mostra delicados pontos de vistas desses dois românticos personagens e um sonho distante de um dia se reencontrarem e quem sabe viverem uma nova história de amor. Por mais que sejam dois protagonistas, acom...

Crítica do filme: 'Ela'

Se apaixonar é uma forma socialmente existencial de insanidade? Depois de apresentar ao mundo uma versão peculiar da tristeza por meio de metáforas e universos inimagináveis, no longa-metragem Onde Vivem os Monstros , o diretor norte-americano Spike Jonze volta aos cinemas, quatro anos depois, com um projeto audacioso que fala sobre o diferente relacionamento no futuro entre um homem e uma máquina, Ela . Com muita suscetibilidade aplicada nas ações dos personagens, o famoso diretor precisava de um ator completo para executar o complexo protagonista. E acreditem, não havia escolha melhor do que Joaquin Phoenix. O porto-riquenho de 39 anos conquista o público, já nos primeiros segundos, com um maravilhoso monólogo. Na trama, conhecemos Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor de cartas melancólico sem muitos amigos e que vive pacatamente sua rotina de trabalho. Sua restrição social é provocada pelo rompimento com sua ex-mulher Catherine (Rooney Mara), de quem não conseg...

Crítica do filme: 'A Menina que Roubava Livros'

O que traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado? Após ter feito muitos filmes “Made for Tv” e ser praticamente um desconhecido no cenário cinéfilo mundial, o diretor Brian Percival topou o enorme desafio de transformar uma obra, que só no Brasil vendeu mais de dois milhões de exemplares, em um longa-metragem digno, pelo menos, de emoção. Com a ajuda de um trio de atores iluminados em seus respectivos papéis (Sophie Nélisse, Geoffrey Rush e Emily Watson), o diretor não só consegue realizar uma pequena grande obra como também faz o espectador sair da sessão de cinema direto para as livrarias para comprar, ou ler de novo sobre essa mágica história.     Com a fantástica trilha sonora criada pelo gênio John Williams, A Menina que Roubava Livros conta a história, narrada por uma voz sombria, de Liesel que precisa ir morar com uma nova família na Alemanha da Segunda Guerra após sua mãe ser acusada de comunismo. Aprende a cada dia a amar e ser ...

Crítica do filme: 'Pais e Filhos'

Depois do maravilhoso trabalho O Que Eu Mais Desejo , o diretor japonês Hirokazu Koreeda volta a falar sobre a relação da família no seu mais novo projeto, o cativante Pais e Filhos . Usando de uma simplicidade e uma delicadeza impressionante, o filme é uma grande jornada sentimental nas escolhas difíceis que pais e filhos se envolvem. O espectador é alvo fácil de cada palavra, cada sentimento, contidos em todas as linhas desse roteiro. Na trama, acompanhamos Ryota Nonomiya (interpretado pelo ótimo ator Masaharu Fukuyama), um homem bem resolvido na vida que vive com sua mulher Midori Nonomiya (Machiko Ono) e seu único filho Keita. Muito disciplinador e sempre se decepcionando com seu filho, Ryota faz de tudo para que nada fuja mais do seu controle. Certo dia, o hospital onde Keita nasceu surpreende essa família com a notícia de que o menino não é o filho biológico deles. A partir disso, escolhas difíceis terão que ser tomadas se unindo num mar de razão e emoção complicado de...

Crítica do filme: 'Gloria'

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Não há frase melhor do que essa pérola do saudoso Chaplin para definir o indicado do Chile ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, Gloria . Dirigido pelo talentoso Sebastián Lelio, o longa-metragem já conquistou plateias de todo o mundo, principalmente em Berlim onde recebeu o concorrido Urso de prata de Melhor atriz. As dancinhas desajustadas logo no início do filme já davam a dica de que estariam prestes a acompanhar uma mulher de personalidade cativante que nos transportaria para um filme emocionante e inspirador. Como viver intensamente quando o destino não dava nenhum sinal de felicidade? Em Gloria , acompanhamos a protagonista, que dá nome ao filme, em suas aventuras em busca da alegria de viver. Gloria em muitos momentos é forte, madura e adora buscar novas alternativas para alegrar seu cotid...