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Crítica do filme: 'A Glória e a Graça'

Melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de natal é a presença de uma família feliz. Dirigido pelo experiente Flávio Ramos Tambellini, que volta a direção de um longa após seis anos, seu último trabalho foi o delicado Malu de Bicicleta (2010) , A Glória e a Graça , entre muitas coisas, é um resgate na relação de dois irmãos que por circunstâncias do destino acabaram se separando durante boa parte de suas vidas. O entrosamento em cena de Carolina Ferraz e Sandra Corveloni, protagonistas do filme, é fundamental para que os diálogos ganhem contornos emocionantes e de aproximação com o público. Grande atuação das duas atrizes. Na trama, acompanhamos a trajetória de Graça (Sandra Corveloni) uma mãe solteira que tem dois filhos e acaba descobrindo em uma eventual visita ao médico que possui um aneurisma inoperável na cabeça. Sem ter muito para onde fugir, nem com quem contar, Graça resolve entrar em contato com seu irmão que não vê a muitos anos. Chegando no encontro, Gra...

Crítica do filme: 'O Dia do Atentado'

A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Dirigido pelo nova iorquino Peter Berg, baseado em relatos de policiais que presenciaram o fato  e também em uma reportagem investigativa de um famoso programa da televisão norte americana, O Dia do Atentado mostra em sua grande parte as horas seguintes ao terrível atentado ocorrido na linha de chegada da Maratona de Boston no ano dia 2013. Focando em policiais, autoridades políticas e as reações dos moradores de Boston, ao longo de 130 minutos de projeção, o filme contém alguns registros reais que foram feitos nesse dia triste para a humanidade. Na trama, conhecemos o policial Tommy Saunders (Mark Wahlberg) que sofre com um problema no joelho e em breve irá conseguir reduzir sua jornada de trabalho. Tommy fica encarregado da segurança de uma parte da maratona mais antiga do mundo, a de Boston, cidade onde vive com sua esposa Carol (Michelle Monaghan). Perto do final da corrida, na linha de...

Crítica do filme: 'Paterson'

Não é a altura, nem o peso, nem os pés grandes que tornam uma pessoa grande, é a sua sensibilidade sem tamanho. Depois de um hiato de três anos desde seu último trabalho, o excelente Amantes Eternos (2013) , o veterano cineasta norte-americano Jim Jarmusch volta às telonas com o sensível longa Paterson . O filme, grande sucesso de crítica e público pelos lugares onde já fora exibido, como em Cannes ano passado, é uma grande jornada emocional com recheios poéticos onde atravessamos e somos testemunhas de uma alma quase solitária que busca em seu rotineiro cotidiano, sem grandes eventos, formas lindas de ver a tão pacata vida. Na trama, com cortes que vão se segunda a segunda, conhecemos Paterson (Adam Driver), um simpático e tímido motorista de ônibus que mora na cidade onde nasceu, Paterson (sim, o nome da cidade também é Paterson), onde vive uma vida simples com sua esposa Laura (Golshifteh Farahani). O protagonista tem um hobby que é escrever poesias todos os dias, geralmente ...

Crítica do filme: 'O Filho de Joseph'

A maternidade é um fato, a paternidade é uma incógnita. Explorado o universo das artes, cortes de arcos citando passagens bíblicas e um humor para lá de peculiar o experiente cineasta nova iorquino Eugène Green volta às telonas brasileiras após o ótimo La Sapienza, dessa vez falando sobre a paternidade e todos os seus caminhos. Ao longo de quase duas horas de projeção, com direito a curtas aulas sobre artes e ampliando nossa visão sobre a cultura, Green volta a todo vapor com mais esse belo trabalho. Na trama, conhecemos o tímido adolescente Vincent (Victor Ezenfis) que colocou em sua cabeça que quer conhecer o pai. Vivendo com sua mãe Marie (Natacha Régnier), uma enfermeira que trabalha meio período, Vincent embarca uma jornada bastante peculiar em busca do paradeiro de seu pai. Nessa caminhada acaba encontrando por acaso o desiludido Joseph (Fabrizio Rongione), que por acaso é o irmão de seu verdadeiro pai, assim começa uma amizade bastante paternal. A cultura, a bíblia, a...

Crítica do filme: 'Logan'

A adversidade é um trampolim para a maturidade. Dirigido pelo cineasta nova iorquino James Mangold ( Johnny & June, Garota, Interrompida ), um dos filmes mais aguardados do ano, enfim, chegou aos cinemas de todo o mundo e mostra como um desfecho de um icônico personagem, antes dos quadrinhos e agora das telonas, pode ser muito marcante. Logan é o capítulo final da surpreendente saga de Wolverine – incrível ser rabugento mutante oriundo dos X-Men – e sua eterna busca por redenção. Hugh Jackman, encarando pela sétima vez o mesmo personagem nos cinemas, faz de tudo para deixar sua marca, usando e abusando de sua versátil habilidade como ator. Grande atuação. Na trama, somos jogados para alguns anos à frente onde os mutantes foram quase instintos da Terra, após um acontecimento pouco explorado nesse filme mas que envolve o grande mentor dos X-Men, Charles Xavier (Patrick Stewart). Assim, Logan/Wolverine (Hugh Jackman) vive afastado de grandes centros, mais precisamente próximo ...

Crítica do filme: 'Para Sempre' (Another Forever)

A vida é a perda lenta de tudo o que amamos. Falando sobre os conflitos da dor e da perda, o cineasta Juan Zapata percorre os caminhos da alma para falar sobre uma mulher que tem seu mundo devastado quando o grande amor vai embora. O Cinema tem essa magia de se tele transportar, da alma para a tela. E o caminho inverso é o mesmo. Para Sempre cumpre muito bem sua investigação com leveza e objetividade ao longos dos curtinhos 71 minutos de projeção. A fotografia e a trilha sonora também merecem elogios, bons destaques no projeto. Na trama, conhecemos a brasileira Alice (Daniela Escobar) uma mulher que vive amargurada após um trauma recente ter consumido sua vida e memórias ao lado de seu grande amor. Ao longo dos curtos minutos de projeção vamos vendo como a protagonista lida com essa dor profunda e suas novas descobertas que chegam para tentar dar uma luz nos seus sentimentos vitais.   A dor da perda e a necessidade de conseguir seguir em frente. Através do olhar investi...

Crítica do filme: 'Papa Francisco – Conquistando Corações'

Que o teu orgulho e objetivo consistam em pôr no teu trabalho algo que se assemelhe a um milagre. Dirigido pelo experiente cineasta espanhol Beda Docampo Feijóo, Papa Francisco – Conquistando Corações conta em vários recortes parte da trajetória e o modo de pensar de Jorge Mario Bergoglio (interpretado brilhantemente pelo sempre ótimo ator argentino Darío Grandinetti), o 266.º Papa da Igreja Católica e atual Chefe de Estado do Vaticano, talvez, o papa mais querido da história. O filme possui uma direção competente e um roteiro corajoso que vai da fé à política usando como palco central à telona, consegue com louvor mostrar que o cinema é uma linguagem universal, que une diversos modos de pensar, não importa sua religião. Na linda história, baseada no livro Francisco: Vida y Revolucion, de Elisabetta Pique, conhecemos Jorge Mario Bergoglio (Darío Grandinetti), ou como gosta de ser chamado até hoje, o Padre Jorge. Somos testemunhas de sua trajetória desde o início de seu desejo e...