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Pausa para uma série: 'Assassino Zen'

As formas de lidar com o cotidiano. Sentimentos que nós seres humanos julgamos ser conflitantes, como: a raiva, o medo, a insegurança, se tornam elementos centrais dos oito excelentes episódios de Assassino Zen , produção alemã disponível na Netflix. Com uma narrativa dinâmica, usando - sem abusar - da quebra da quarta parede, esse projeto mostra a desconstrução de um protagonista, na corda bamba da moral e da ética, sendo parte de um contexto curioso onde lições em meio ao caos vem de encontro a muitas considerações existenciais. Na trama, conhecemos o advogado Björn Diemel ( Tom Schilling ) que trabalha em um grande escritório de advocacia na função de liberar bandidos para um chefão local. Infeliz no trabalho, com dificuldades em reestruturar os laços afetivos da própria família, vive seu cotidiano com a corda no pescoço. Tudo isso muda quando resolve fazer um intensivão num curso de ‘atenção plena’ com um guru que lhe entrega saídas para momentos difíceis. Assim, colocando em prá...

Pausa para uma série: 'Territory'

O poder e os egos inflados em meio a uma paisagem deslumbrante. Pegando carona na fórmula de bolo certeira definida pela aclamada Yellowstone , a minissérie australiana Territory é um novelão, com alguns núcleos, que busca sua força nas intrigas, traições e desencontros que são vistos ao longo dos seis episódios. Criado pela dupla Ben Davies e Timothy Lee , se constrói a partir de uma premissa simples: Uma dinastia indo pro precipício a largos passos e os problemas de comando para uma reviravolta. Mas a solidez no seu discurso vai de encontro a uma narrativa muitas vezes desinteressante e sonolenta, com um calcanhar de aquiles alarmante: a falta de força e carisma nos personagens. É difícil uma forte conexão. Na trama, acompanhamos os Lawsons, uma família que domina Marianne, a maior propriedade rural (estância) de gado do mundo, situada no norte da Austrália. Assim, conhecemos o chefe da família Colin ( Robert Taylor ), o filho mais velho Graham ( Michael Dorman ) e sua esposa Em...

Crítica do filme: 'O Chef'

Um noite intensa e exigente. Baseado em um curta-metragem, o projeto de um tiro só O Chef nos leva do banal ao complexo em dramas que se acumulam num restaurante que tem uma noite de altos e baixos. Dirigido por Filipe Barantini , o projeto nos mostra o raio-x de uma descarga intensa de emoções onde dilemas precisam serem resolvidos em frações de segundos, tendo como foco um protagonista em total crise existencial. No papel principal, o ótimo Stephen Graham . Na trama, filmada em plano sequência (sem cortes), acompanhamos uma noite conturbada na vida do experiente Chef Andy ( Stephen Graham ). Precisando lidar com problemas da sua equipe, e algumas questões inesperadas, como a visita de um ex-sócio celebridade, além de momento de vícios no seu presente – fato esse que vai destruindo a relação com a família – ao longo de uma noite, que parece não acabar, o esgotamento se torna uma questão de tempo.   Rodado em um restaurante que existe no bairro londrino de Dalston, O Chef é i...

Crítica do filme: 'Assalto Brutal'

Muito além de um crime. Baseado - em partes - numa história real, em Assalto Brutal , vemos embates a partir de um irmão próximo do abismo emocional após a ruptura de laços, um caótico evento num banco que está sendo privatizado e os fantasmas do passado de um brilhante policial que se tornam ferramentas para lidar com um caso repleto de violência. Rapidamente chegando ao Top 10 da Netflix Brasil, o projeto possui camadas muito bem amarradas pelo cineasta Michal Gazda , com um roteiro assinado por Bartosz Staszczyszyn . Na trama, ambientada na época onde os VHS dominavam as prateleiras das milhares de locadoras pelo mundo, um misterioso assalto a banco, com vítimas, deixa Varsóvia em estado de alerta. Com uma proposta para voltar à ativa na forças da lei caso consiga desamarrar a investigação do crime, o policial Tadeusz Gadacz ( Olavo Lubaszenko ) fará de tudo para chegar as verdades. A narrativa opta por explorar as consequências com as peças já encontrando rápidas definições. Sa...

Crítica do filme: 'Centro Ilusão' [Festival do Rio 2024]

Quando o som traduz o sentimento. Direto e reto em seu discurso, o longa-metragem cearense Centro Ilusão ultrapassa as camadas superficiais com um nocaute nas levitações até o sonhar. Dando ênfase à cena cultural e musical nordestina, esse novo trabalho do excelente cineasta Pedro Diógenes também apresenta as diferenças do pensar no tempo, num choque de gerações, numa busca de um mesmo repouso para as interpretações dos momentos de devaneios. Na trama conhecemos, Caio ( Brunu Kunk ) e Tuka ( Fernando Catatau ), dois músicos, de duas gerações diferentes, que estão em uma audição para uma vaga que pode mudar suas vidas. Na espera pelo resultado, durante um tempo rodam pelo centro de fortaleza entre os sonhos e as desilusões sobre o próximo passo na vida. Há uma generosa poesia em cada momento de reflexão, aproximando as verdades com a realidade. Num choque proposto entre o tanque cheio para o sonhar e a pane seca acumulada por frustrações, somos testemunhas de um encontro urbano te...

Crítica do filme: 'Lá Fora'

Destrinchando o desespero através de uma história que envolve uma distopia repleta de zumbis que correm e um desenrolar sombrio de um casamento por um fio, Lá Fora , lançamento filipino da Netflix que logo alcançou o Top 10, é uma obra tensa, violenta, que alcança seu primor no suspense psicológico. Seguindo a frase: 'não há beleza no caos', nos aproximamos de uma história dura, um soco no estômago que explora o estado de sobrevivência. O projeto é escrito e dirigido pelo cineasta Carlos Ledesma . Na trama conhecemos o casal Francis ( Sid Lucero ) e Iris ( Beauty Gonzalez ), que junto dos dois filhos, encontram abrigo na casa da família do primeiro após o mundo ser dominado por zumbis. Um fato importante é que essas duas almas estão com o casamento por um fio e situações de um passado recente começam a aflorar nesse presente de caos e incertezas. A partir de inconsequências a história toma um rumo imprevisível. Com suas mais de duas horas de projeção, o filme se prolonga ma...

Crítica do filme: 'Ainda não é Amanhã' [Festival do Rio 2024]

A ida até a instabilidade das incertezas que chega num novo mundo de possibilidades. Trazendo um recorte profundo de uma jovem estudante de direito que é surpreendida por uma gravidez indesejada, Ainda não é Amanhã passa suas reflexões através das rupturas dos sonhos e o atropelo das interpretações da moral. Escrito e dirigido por Milena Times , o projeto tem como um dos acertos um ótimo desenvolvimento do roteiro que impulsiona uma narrativa que vai direto ao ponto levando o público para inúmeras reflexões sem esquecer de apresentar por completo a desconstrução de sua protagonista. Na trama, conhecemos Jana ( Mayara Santos ), uma esforçada jovem que é orgulho de sua avó e da mãe – com quem mora num conjunto habitacional da periferia de Recife - sendo uma das primeiras da família a conseguir ir pra faculdade. Mas a alegria de um presente cheio de sonhos se transforma em desespero quando descobre estar grávida do namorado. Pensando em encontrar alguma solução, em meio as incertezas de...