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Pausa para uma série: 'Belo: Perto Demais da Luz'

Buscando apresentar retratos de uma trajetória com altos e baixos de um dos mais bem sucedidos cantores brasileiros, o documentário Belo: Perto Demais da Luz ao longo de quatro episódios – todos já disponíveis na Globoplay - joga para o público reflexões sobre as polêmicas e o caminho trilhado pelo paulista Marcelo Pires Vieira. Sem passar pano e jogando na tela versões de fatos que caíram na curiosidade do povo, esse projeto nos mostra um pouco mais do Marcelo e momentos importantes da carreira de Belo. A narrativa proposta busca preencher seus espaços primeiro com um pouco da história da infância e depois até sua entrada no grupo de pagode Soweto, passando nos episódios finais para as prisões e as mais recentes polêmicas que lotaram jornais e as redes sociais. Em todo esse processo, vemos em grande parte a história contada pelo próprio Belo e pessoas que sempre estiveram próximas a ele. Bastidores de turnês, imagens de arquivos, ilustram os episódios. Com criação de José Junior, ...

Crítica do filme: 'Submissão'

Tentando implementar um suspense sensual em meio a um retrato melancólico de um drama familiar o suspense Submissão caminha de forma desordenada pela redundância, se distanciando do discurso. Dirigido por SK Dale e protagonizado por Megan Fox , a produção que estreou na Prime Video nesse segundo semestre de 2024 é uma junção de peças sem sentido que nos levam até o caminho do desinteresse. Na trama conhecemos Nick ( Michele Morrone ), um pai de família que vive um presente conturbado precisando cuidar dos dois filhos pequenos e com a esposa Maggie ( Madeline Zima ) precisando de um transplante de coração pra sobreviver. Para ajudá-lo no seu cotidiano, ele compra uma robô, Alice ( Megan Fox ). Aos poucos vai percebendo que essa escolha pode trazer muitos perigos para sua família quando a inteligência artificial começa a descobrir atualizações em seu sistema. As questões sociais e os impactos da implantação da tecnologia é um tema recorrente no mundo do cinema. Por aqui ganha foco...

Crítica do filme: 'Manas'

Vi um dos grandes filmes brasileiros dos últimos anos, um projeto dilacerante, angustiante e que mostra verdades duras. Selecionado para a Mostra de Cinema de Gostoso 2024, depois de passar por outros festivais com grande sucesso, Manas apresenta o recorte de uma família pela visão de uma jovem adolescente que sofre com muitos tipos de violência em seu cotidiano. Dirigido por Marianna Brennand , o projeto dilacera de forma contundente os muitos tipos de abusos dentro e fora de casa. Na trama conhecemos Tiele ( Jamilli Correa ), que vive com sua família em uma região na Ilha de Marajó, no Pará. Cheia de sonhos logo entra em um pesadelo, começando por perguntas em respostas no sumiço da irmã. Quando se vê perdida e completamente atingida pela violência que chega aos seus olhos de forma cruel, persegue o socorro por um caminho solitário até as últimas consequências. Impressiona a maneira como a violência é retratada, de forma sutil a competente narrativa apresenta a angústia de forma...

Crítica do filme: 'GTMax'

Sem nunca esconder que é um filme de ação daqueles onde o foco é quase total nas cenas coreografadas – aqui em alta velocidade – o longa-metragem francês GTMax parte de um conflito familiar e problemas no passado para compor uma parte dramática genérica longe de qualquer empolgação. Dirigido pelo cineasta Olivier Schneider , debutando na carreira de diretor de longas-metragens, esse é mais um filme parecido com tantos outros. Ao longo de 100 minutos de projeção acompanhamos a história de Soélie ( Ava Baya ), uma ex-campeã de Motocross que se depara com complicados problemas financeiros que sua família se meteu. Buscando salvar a pista de corrida que são donos, pagar dívidas imensas com um banco e salvar o irmão Michael ( Riadh Belaïche ) de uma enrascada, resolve aceitar um trabalho criminoso organizado pelo violento Elyas ( Jalil Lespert ).   Com a trama girando ao redor de poucos personagens, resta ao roteiro buscar elos através de um trauma vivido pela protagonista para se ...

Crítica do filme: 'Kubrusly – Mistérios Sempre há de pintar por aí' [Mostra de Cinema de Gostoso 2024]

Uma história de amor em meio a um rico material de um profissional exemplar que sempre colocou a cultura brasileira em suas pautas. Assim podemos começar uma análise sobre esse cativante projeto. Exibido em primeira mão na Mostra de Cinema de Gostoso 2024, Kubrusly – Mistérios Sempre há de pintar por aí reúne uma importante pesquisa, que junta materiais de arquivo aos detalhes do cotidiano, para registrar o começo, meio e as novas descobertas do viver de um homem diagnosticado com uma doença cruel que continua a escrever a sua própria história. Diagnosticado com demência frontotemporal, o jornalista Maurício Kubrusly marcou a história do rádio e da televisão brasileira. Desde a primeira matéria de repercussão – ainda quando era estagiário – um furo de reportagem sobre a passagem da atriz francesa Brigitte Bardot pelo Rio de Janeiro décadas atrás, até as lendárias críticas musicais, passando também por um quadro de sucesso no importante programa televisivo da Rede Globo, Fantástico,...

Crítica do filme: 'Mia' [Festival de Cinema Italiano 2024]

O passo a passo de um desmoronamento familiar. Com um foco quase que total em um pai controlador e uma mãe perdida em como lidar com algumas situações que se apresentam, o longa-metragem Mia possui um clima angustiante, focalizando no limite das emoções uma gangorra de desespero apresentando os detalhes do antes e depois de um acontecimento trágico. Dirigido por Ivano De Matteo , esse forte drama aborda e reflete sobre relacionamentos tóxicos, as indescritíveis camadas da dor e a incapacidade de ajuda. Na trama conhecemos Sergio ( Edoardo Leo ) um bondoso motorista de ambulância que vive com sua esposa Valeria ( Milena Mancini ) e a filha de 15 anos, Mia ( Greta Gasbarri ). Exigente e muitas vezes controlador, Sergio está sempre atualizado sobre a vida da filha. Um dia Mia conhece um jovem com quem passa a ter um relacionamento que logo se mostra tóxico. A partir desse ponto, a família passará por uma enorme tempestade que deixam em iminência uma tragédia. Destrinchando relações ...

Crítica do filme: 'A Alma em Paz' [Festival de Cinema Italiano 2024]

Uma família disfuncional, uma jovem cheia de sonhos distantes. Começando uma jornada de desconstruções com essas duas variáveis se chocando em ações inconsequentes, o longa-metragem A Alma em Paz logo se identifica como um drama contundente que joga um alvo nos desperdícios de oportunidades. A normalização da dor e das dificuldades cotidianas apontam olhares beirando o precipício da moral, sem saídas, em um mundo injusto onde o desmoronar virou uma rotina. Na trama, ambientada ainda nos tempos onde a pandemia buscava ser controlada na Itália, conhecemos Dora ( Lívia Antonelli ) uma jovem de origem humilde que trabalha duro para sobreviver e na outra parte do dia complementa a renda traficando. Ela vive com a tia e a mãe e tem um passado repleto de traumas. Lutando para ter de volta os irmãos entregues para a assistente social, acaba conhecendo um homem que a faz acreditar em alguns sonhos perdidos. Há soluções em meio ao caos? Logo percebemos que o ambiente se torna um paralelo pa...