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Crítica do filme: 'Mia' [Festival de Cinema Italiano 2024]


O passo a passo de um desmoronamento familiar. Com um foco quase que total em um pai controlador e uma mãe perdida em como lidar com algumas situações que se apresentam, o longa-metragem Mia possui um clima angustiante, focalizando no limite das emoções uma gangorra de desespero apresentando os detalhes do antes e depois de um acontecimento trágico. Dirigido por Ivano De Matteo, esse forte drama aborda e reflete sobre relacionamentos tóxicos, as indescritíveis camadas da dor e a incapacidade de ajuda.

Na trama conhecemos Sergio (Edoardo Leo) um bondoso motorista de ambulância que vive com sua esposa Valeria (Milena Mancini) e a filha de 15 anos, Mia (Greta Gasbarri). Exigente e muitas vezes controlador, Sergio está sempre atualizado sobre a vida da filha. Um dia Mia conhece um jovem com quem passa a ter um relacionamento que logo se mostra tóxico. A partir desse ponto, a família passará por uma enorme tempestade que deixam em iminência uma tragédia.

Destrinchando relações entre três elementos do mesmo lar, percorremos alguns momentos na vida de uma família como se após a ultrapassagem de uma linha – entenda como um fato marcante – uma desconstrução acontecesse. Do amor ao desespero, com a culpa logo se tornando um elemento importante de uma equação sem solução, o projeto ruma para seu clímax com a tensão contínua marcado pela violência de muitas formas. O elenco é muito bom, grande harmonia em cena.

O apartamento onde moram se torna o cenário de uma transformação que liga os pontos do sofrimento. A direção de arte é muito bem feita, elementos em cena conversam com o abstrato dos conflitos que se estabelecem somatizando cenas impactantes e de confronto. A narrativa bem conduzida por Matteo apresenta cada detalhe e as verdades de um relacionamento tóxico e como isso atinge a todos os personagens. Muitas reflexões dessa obra passam por esse ponto, parecendo perguntar ao espectador o que faria naquela situação.

Rumando para interpretações de uma revolta seguida de dor, Mia não é um filme fácil, é um recorte duro sobre o desencontro no ajudar e as fraquezas que refletem em comportamentos.


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