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Crítica do filme: 'Dogman'

Como você enxerga as brutalidades da vida? Indicado da Itália ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para a próxima grande festa do cinema, Dogman é um retrato social, brutal, passado em uma periferia italiana onde vários questionamentos são levantados a cada nova virada no roteiro. O longa é dirigido pelo cineasta italiano Matteo Garrone , do inesquecível e impactante Gomorra , e protagonizado pelo ator Marcello Fonte , vencedor da Palma de Ouro em Cannes de melhor ator esse ano por esse papel. Na trama, passada em uma cidadezinha na Itália não identificada, conhecemos o carinhoso, peladeiro e boa praça Marcello ( Marcello Fonte ), um humilde e gentil dono de uma petshop localizada na região central dessa cidadezinha. Marcello vive tranquilo seus dias e adora passar o tempo com sua única filha. Mas Marcello acaba envolvido em várias situações com Simoncino ( Edoardo Pesce ) um perturbador, baderneiro que incomoda todos na cidade, sempre arrumando confusão. Após uma dessas situa...

Crítica do filme: 'A Pé ele não vai longe'

A sabedoria para fazer a diferença, a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso. O novo trabalho do grande cineasta Gus Van Sant é uma junção do talento dos artistas envolvidos, o excelente roteiro baseado no livro de memórias de John Callahan: Don't Worry, He Won't Get Far on Foot , em uma história de superação e como a arte de alguma forma pode salvar uma vida. Joaquin Phoenix , responsável pelo papel principal, inspirado como quase sempre em sua brilhante carreira, é um ator como poucos, um verdadeiro colírio aos cinéfilos podermos ser contemporâneo de tamanha genialidade e entrega aos seus personagens. Ao longo de quase duas horas de projeção, somos testemunhas de uma grande história com a cereja do bolo vinda do que ouvimos, bastam 25 minutos de filme para a trilha do craque Danny Elfman te conquistar. Van Sant tentava filmar essa história desde os anos 90 e sua ideia na época era ter o ator Robin Williams como p...

Crítica do filme: 'Entrevista com Deus'

Não há como começar o texto desse filme sem perguntar o lógico: o que você faria se pudesse perguntar qualquer coisa em um encontro com quem criou a tudo e a todos? Entrevista com Deus , com estreia prevista para o circuito brasileiro no dia 15 de novembro, explora o poder da fé e as inúmeras dúvidas que temos sobre os obstáculos que enfrentamos não só em nosso presente mas com as marcas incuráveis do passado. De roteiro simples, buscando força nos diálogos e principalmente nas resposta do todo poderoso, o filme cria uma elo de simpatia com todo o positivismo das palavras que vem dele. Na trama, inteiramente rodada em Nova York, conhecemos o perturbado jornalista Paul ( Brenton Thwaites , o Robin/Dick Grayson da nova série Titãs ) que após voltar do Afeganistão, onde fora como correspondente de guerra (jornalista), tem uma crise enorme em seu casamento e vive buscando ultrapassar seus obstáculos sempre com muita dificuldade de entender a si mesmo. Um certo dia, é colocado a ele...

Crítica do filme: 'Mandy'

Quando o sinistro se une ao esquisito. Exibido no Festival de Sundance desse ano, Mandy, novo trabalho do diretor italiano Panos Cosmatos, é uma caótica narrativa inventiva com pitadas fervorosas de tendências à psicodelia. Sim, é uma doideira danada. Esteticamente, o projeto ganha muitos pontos, visualmente embarca na loucura de seus excêntricos personagens fazendo ligações o tempo todo com os sentimentos que afloram frame a frame. Na trama, ambientada no início da década de 80, conhecemos Red (Nicolas Cage) e Mandy (Andrea Riseborough), um casal que mora em um lugar no interior dos Estados Unidos, muito isolado dos grandes centros, praticamente dentro de uma floresta. Nesse mesmo lugar isolado, um culto repleto de pessoas loucas resolve implicar com Mandy e decidem sequestrá-la. Pensamento somente em vingança e munido de uma motossera, uma espada medieval (ou algo parecido) e muita sede de sangue, Red embarca em uma jornada infernal em busca de paz interior. Violento, polêmico,...

Crítica do filme: 'O Orgulho'

A linha tênue entre o ensinar e o provocar. Dirigido pelo ator e cineasta israelense Yvan Attal, Le Brio, no original, é a saga de uma relação controversa entre um mestre e uma aluna, com pitadas jurídicas e diálogos que preenchem nosso campo emocional.  Ainda em exibição no circuito exibidor brasileiro, o filme é uma grande aula sobre a sociedade que vivemos e como enxergamos o próximo. Indicado em algumas categorias ao César (o Oscar francês) desse ano, na trama, conhecemos a jovem, estudiosa e esforçada Neila (Camélia Jordana) que entra em uma prestigiada universidade para cursar direito. Logo no primeiro dia de aula, chega minutos atrasada e é repreendida na frente de todos pelo experiente e polêmico professor Pierre (Daniel Auteuil). Assim, começa a relação entre esses dois, completamente opostos que precisarão unir seus aprendizados quando Pierre é indicado para dar aulas preparatórias à Neila visando um importante concurso de oratória entre universidades francesas. O r...

Crítica do filme: 'Sicario: Dia de Soldado'

Fogo contra fogo, vamos falar do seu futuro. Tentando repetir o bom roteiro do primeiro filme da franquia, Sicario: Dia do Soldado apresenta uma história forte, que às vezes imita a realidade, na eterna guerra que o governo norte americano enfrenta contra os cartéis de drogas. O roteiro é do competente Taylor Sheridan ( Terra Selvagem, Sicário: Terra de Ninguém, A Qualquer Custo ) e a direção é assinada pelo cineasta italiano Stefano Sollima . Dessa vez, o agente Matt Graver ( Josh Brolin ) convoca uma operação arriscada em território não norte americano que envolve o seqüestro da filha de um dos principais chefões de droga de todo o mundo. Quando a operação começa a ter problemas, Graver e Alejandro Gillick ( Benicio Del Toro ), que vimos no primeiro filme como um homem sem nada a perder e buscando a vingança pela morte de sua família, começam a entrar em conflito moral e ético e as escolhas de cada um deles define as conseqüências que vemos nesse forte e sangrento projeto. ...

Crítica do filme: 'Gente de Bem'

É complicado retratar a depressão e a falta de sentido da vida com personagens tão diferentes e mesmo assim ser um filme interessante. Gente de Bem , filme que estreou no último Festival Internacional de Toronto e lançado após na rede de streaming Netflix, sem dúvidas não é um filme para qualquer um. Escancara a realidade modelando seu ritmo com pitadas de humor depressivo nos diálogos, situações constrangedoras e atitudes para lá de polêmicas. No papel principal, o excelente ator australiano Ben Mendelsohn ( Reino Animal, Jogador Número 1 ) que mais uma vez mostra todo seu talento em um excêntrico e bastante peculiar personagem. Na trama, dirigido pela cineasta Nicole Holofcener ( À Procura do Amor – 2013) e roteirizado pela mesma, a partir da obra The Land of Steady Habits de Ted Thompson , conhecemos o recém separado Anders ( Ben Mendelsohn ), um homem que largou o emprego e partiu para uma aposentadoria antecipada mudando os rumos de sua vida e de toda sua família já que...