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Crítica do filme: 'The Farewell'

O crescimento do nariz de toda uma família. Escrito e dirigido pela cineasta chinesa Lulu Wang (cineasta e esposa de Barry Jenkins , diretor dos excelentes Moonlight e Se a Rua Beale Falasse ) em apenas seu segundo longa-metragem, The Farewell (alguns o titulam como A Despedida ), grata surpresa na temporada de premiações norte-americanas passada, explora um tema familiar complicado de maneira leve e argumentativa. Há delicadeza por todos os lados. Preenche com elegância os contornos culturais tendo como pano de fundo uma família que possui um problema em comum. Lançado no Festival de Sundance do ano passado, essa linda história, infelizmente, não ganhou as telonas brasileiras. O filme gira em torno da ótica de Billi ( Awkwafina , em grande atuação que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em filme de Musical ou Comédia), uma jovem chinesa que vive desde os seis anos nos Estados Unidos e certo dia recebe uma notícia terrível: sua querida e próxima avó está com Câncer...

Crítica do filme: 'O Poço'

Uma das coisas que mais escutamos como desculpas para filmes não terem boas bilheterias, ou visualização (no caso dos lançamentos diretos em streamings), é que não acertaram a data de lançamento e acabaram fracassando. Nada disso pode ser associado ao filme O Poço, El Hoyo no original, lançado nos últimos dias no Netflix, pelo contrário. Mais exata na data impossível. Assim falemos do projeto, uma utopia de ideias já vistas em outros filmes (como em O Expresso do Amanhã , filme do diretor de Parasita , atual vencedor do Oscar Bong Joon Ho ), até mesmo de formas diferentes, o filme tem força suficiente no seu clima de tensão imposto e fala através das pesadas e inconsequentes ações de seus personagens. Debutando em longas-metragens, o cineasta Galder Gaztelu-Urrutia , indicado ao prêmio Goya de Melhor Diretor Revelação, mostra competência na direção e deixa margens para argumentos e teorias sobre o desfecho desse impactante roteiro. Na trama, conhecemos de maneira quase instan...

Crítica do filme: 'Cascavel'

Quando tudo não passa de uma história para dormirmos. Disponível na Netflix desde o ano passado, o suspense Cascavel busca em metáforas nada profundas explicar até aonde uma mãe iria para salvar sua filha. Dirigido pelo cineasta Zak Hilditch , o filme é naufrágio em forma de roteiro insano onde nada explica nada, deixando o público à mercê de lapsos de pensamentos da realidade para tentar não ficar mais perdido que cego em tiroteio. Talvez, o pior filme da carreira da competente atriz britânica Carmen Ejogo . Na trama, conhecemos a história de Katrina ( Carmen Ejogo ), uma mulher que está de mudança para algum lugar e dirige durante quilômetros tendo a bordo de seu carro somente sua filha pequena. Quando fura o pneu em uma estrada isolada de população, sua filha acaba sendo picada por uma cobra cascavel que aparece no meio do deserto lugar onde estão. Desesperada e sem saber o que fazer, ela olha para o lado e enxerga um trailer onde lá dentro, uma senhora bastante esquisita, ...

Crítica do filme: 'Por Lugares Incríveis'

Como fugir da depressão com a ajuda de um par perfeito? Conflitos adolescentes, traumas, amizade, amor e descobertas, Por Lugares Incríveis , novo drama lançado pela Netflix é um projeto com altas pitadas de drama profundo onde aos poucos vamos tentar decifrar os complexos protagonistas. Baseado na obra homônima de Jennifer Niven , com direção de Brett Haley o filme possui assuntos intensos mas perde ritmo em alguns momentos, fato que deve ser melhor explorado nas linhas do livro. Mas nada que atrapalhe o nosso refletir sobre as questões que aborda. Na trama, logo de cara somos testemunhas do primeiro encontro inusitado entre os jovens Violet ( Elle Fanning ) e Theodore ( Justice Smith ), a primeira está a beira de se jogar de uma ponte por não conseguir se livrar de pensamentos de uma tragédia e o segundo passava pelo local durante suas diárias corridas. A partir desse ponto as duas almas se conectam, principalmente pelo esforço de Theodore em entender o porquê daquela situaç...

Critica do filme: 'Jurado 8' (Juror 8)

A grande dúvida entre a condenação e a absolvição pelos olhos de quem vive em uma sociedade. Lançado em novembro do ano passado no Japão e com remotíssimas chances de chegar até o circuito exibidor brasileiro (talvez pela falta de faro de pequenas e medias distribuidoras), Jurado 8 , ( Juror 8 , no original), baseado em fatos reais, conta um pouco do início do júri popular na Coreia do Sul, abordando um julgamento complicado e mesclando drama profundo com pitadas cômicas. A fórmula dá certo e somos testemunhas de um apanhado de argumentos em volta de um grande júri. Interessante fita dirigida pelo cineasta Seung-wan Hong debutando na função. Na trama, somos colocados no ano de 2008 onde acontecem os preparativos para o primeiro julgamento no país com a participação de um júri popular formado por oito pessoas completamente diferentes. Após essa seleção, o julgamento de um homem com problemas psicológicos acusado de matar sua mãe é o caso. Assim, argumentos de defesa e acusaç...

Crítica do filme: 'Luce'

Como prever um futuro perfeito já que a trajetória para se chegar até lá são repletas de surpresas e de individuais interpretações? Exibido no aclamado Festival de Sundance e deixando ótimas resenhas por onde tem sido exibido, Luce , baseado na peça teatral assinada pelo também roteirista do filme J.C. Lee e dirigido pelo cineasta nigeriano Julius Onah ( O Paradoxo Cloverfield ) é um poderoso drama com pitadas generosas de tensão onde somos recheados de argumentos para nos posicionarmos quanto as importantes questões que o filme aborda. Podemos afirmar que Luce é um dos filmes que mais trazem debates para o lado de cá da telona dos últimos anos, que absurdamente não foi exibido nos cinemas brasileiros. Na trama, conhecemos Luce ( Kelvin Harrison Jr. em ótima atuação), inteligente, atleta e aluno preferido de sua escola que fora adotado por seus pais, Peter ( Tim Roth ) e Amy ( Naomi Watts ), aos sete anos quando o país em que morava era caótico. Luce cresceu como americano...

Crítica do filme: 'Você Não Estava Aqui'

A realidade nua, crua e bruta dando ar numa tela gigante para quem quiser ver e sentir. O novo trabalho do genial cineasta britânico Ken Louch é antes de mais nada um belo soco no estômago das hipocrisias trabalhistas em um mundo dominado por cães ferozes, muitas vezes, sem sensibilidade. Aos 83 anos, o veterano diretor parece que nunca perde a mão, não mede esforços e simplicidade para nos mostrar detalhes profundos de retratos que acontecem nesse lado daqui na tela, principalmente em um Europa em crise existencial talvez camuflada por notícias que não nos levam a fundo sobre o que pensar. Você não Estava Aqui é impactante até seu último suspiro. Na trama, somos jogados para a realidade de uma família de classe média baixa britânica, onde o pai Ricky ( Kris Hitchen ), um torcedor entusiasmado do Manchester United, resolve investir em uma van de entregas para tentar mudar um pouco da realidade apertada financeira de sua família. A questão é que a partir desse ponto, acaba inf...